Arquivado em: Batman, Cinema - Filmes, DC, Frank Miller, Neal Adams | Tags: Ano Um, Batman, Bruce Wayne, Christopher Nolan, Coringa, David Mazzucchelli, Dennis O'Neil, Detective Comics, Dick Giordano, Direto do coração das trevas, Frank Miller, Gary Oldman, homem-morcego, Isabela Boscov, Jim Gordon, Joker, Neal Adams, O Cavaleiro das Trevas, poster, The Dark Knight

A revista Veja da semana passada – edição 2069 – publicou uma excelente matéria analítica de sua editora de cinema, Isabela Boscov, sobre Batman, O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight) intitulada Direto do coração das trevas. Se você quer conhecer um pouco mais sobre as nuances psicológicas que aproximam os dois antagonistas do filme e como o diretor Christopher Nolan (sobre ele publicarei em breve um texto) costura com extrema competência a ação do filme, a leitura dessa matéria é bastante oportuna. Isabela dá toda a dimensão desta produção em duas páginas da revista.
Como num bom filme de super-herói, o texto não perde tempo e vai direto ao ponto ao afirmar que a superprodução da Warner oferece “não só o melhor vilão de todas as adaptações dos quadrinhos para o cinema, como também, mais propriamente, o primeiro que não é uma caricatura ou uma invenção pueril. (…) O mais existencialista dos super-heróis ganha, assim, um adversário que é o seu exato oposto e complemento – um niilista“. Quadrinhos não é coisa só para crianças, embora por muito tempo essa arte tenha sido considerada menor e destinada ao público infantil. Daí, a idéia equivocada de que as adaptações para cinema de personagens saídos das páginas dos “gibis” deveriam ser simplórias.

Mas os quadrinhos, como em qualquer área da produção cultural, têm produtos infantis, juvenis e adultos. Parece simples isso, não? Portanto, as adaptações para cinema de personagens e histórias oriundas dos quadrinhos têm que ser respeitadas como qualquer outro tipo de obra. O homem-morcego já foi construído para esses diferentes públicos. Mas, definitivamente, Batman não deveria ser um personagem superficial para ser consumido apenas como um leve entretenimento infantil.
O diretor Chris Nolan sabe disso e se serve do dualismo dos personagens principais para compor a densa história do filme. Em seu texto, Isabela afirma que “a distorção que é o Coringa passa aqui a definir também Batman. Na verdade, quase que o explica. Tudo o que o milionário Bruce Wayne e seu alter ego heróico têm de perfeito e composto, o Coringa tem de desfeito e desorganizado“. Isso define perfeitamente o que os quadrinhos passaram a valorizar desde 1970, quando Neal Adams, Dennis O’Neil e Dick Giordano assumiram o personagem na revista Detective Comics. Com essa trinca de artistas, Batman retomava o lado sombrio de suas histórias e começava a ganhar uma estrutura emocional definitiva, colocando seu universo em outro patamar criativo.

O trabalho sedimentado por Adams/O’Neil/Giordano ganharia um reforço de muita qualidade 26 anos depois, quando o personagem chegou nas mãos de outro gênio dos quadrinhos, o fantástico Frank Miller. Ele desenvolveu uma minissérie densa e que marcou época: Batman, O Cavaleiro das Trevas (isso mesmo, o mesmo nome do filme que estreou sexta-feira). O sucesso foi tamanho que Miller retornaria ao personagem em 1987 para recontar sua origem em Batman: Ano Um, excelente arco de histórias desenhado primorosamente por David Mazzucchelli, que mostra o início da amizade (e cumplicidade) entre o morcego e Jim Gordon*.
Com esses elementos já sedimentados desde os anos 70, Nolan tem nas mãos material suficiente para realizar um trabalho absolutamente criativo no cinema e vários filmes. Não há o que inventar. Já está tudo lá, nos quadrinhos. É quase como um storyboard. Basta ter respeito com à obra.

* O leitor atento irá perceber que, tanto em Batman Begins quanto no novo filme, Gordon – que é interpretado pelo excelente Gary Oldman – parece ter saído das páginas de Batman: Ano Um, tamanha a semelhança entre a concepção do policial de Mazzucchelli e o ator que o caracteriza.
As imagens que ilustram este texto são posteres e uma cena do filme.
(Continua na próxima bat-postagem)
9 Comentários até o momento
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Belo texto. Fiz uma análise mais simples, porque eu acho que filme sobre quadrinhos são cíclicos, ou seja, nem todos terão essa atmosfera séria de Batman e na verdade nem sempre isso será apropriado. Mas arrisco dizer que esse filme será atemporal, sempre será uma referência quando falarmos de adaptações sobre quadrinhos. Abração!
Comentário por tarsischwald 23|Julho|2008 @ 10:35 amObrigado, Társis. E concordo quando você fala que ele será uma referência. Mas não sei se filmes sobre quadrinhos são cíclicos. Mas, acredito que estejam surgindo mais ótimos diretores e roteiristas que respeitem os quadrinhos. Daí que começam a aparecer com mais freqüência bons filmes baseados na oitava arte.
Comentário por Francisco 23|Julho|2008 @ 11:29 pm[...] Coração satânico: o dualismo de Batman e Coringa [...]
Pingback por DC enfrenta a Marvel nos cinemas também « Um Blog no Planeta Mongo 26|Agosto|2008 @ 1:04 am[...] Coração satânico: o dualismo de Batman e Coringa [...]
Pingback por Nunca pegue carona com Angelina Jolie « Um Blog no Planeta Mongo 30|Agosto|2008 @ 6:40 pm[...] colocação, seguido de Zohan – O Agente Bom de Corte (You Don’t Mess With The Zohan) e Batman – O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight), que está em cartaz há quase dois meses sempre entre os cinco filmes mais [...]
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Pingback por O retorno de Batman, o Cavaleiro das Trevas « Um Blog no Planeta Mongo 12|Fevereiro|2009 @ 1:59 am[...] ou outro detalhe. O maior problema do Oscar deste ano foi ter ignorado solenemente dois filmes – Batman, O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight) e Revolutionary Road (não cito aqui o nome dado ao filme no Brasil porque ele [...]
Pingback por Ecos (e fotos) do Oscar « Um Blog no Planeta Mongo 27|Fevereiro|2009 @ 2:34 am[...] ver outras fotos do filme clique nos links abaixo: – O RETORNO DE BATMAN, O CAVALEIRO DAS TREVAS - CORAÇÃO SATÂNICO: O DUALISMO DE BATMAN E CORINGA - THE JOKER’S QUESTION… WHY SO SERIOUS? - DARK KNIGHT: BATMAN E A INSANIDADE DO CORINGA [...]
Pingback por O Batman e o Coringa de Nolan « Um Blog no Planeta Mongo 23|Março|2009 @ 1:20 am