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O Judoka do Floriano Hermeto by Francisco

O Judoka #14, por FHAF | CLIQUE AQUI PARA AMPLIAR ESTA IMAGEM EM ÓTIMA RESOLUÇÃOO número 13 da revista O Judoka, da Ebal, lançada em abril de 1970 (ou seja, há 40 anos!), trouxe uma novidade alvissareira nas Notícias em Quadrinhos, seção que era publicada tradicionalmente na segunda página das revistas em quadrinhos da simpática editora. A notícia publicada com destaque era a chegada de um novo desenhista já na edição seguinte! Ele passaria a integrar o elenco de colaboradores que desenvolviam as aventuras do herói brasileiro. Esse desenhista era o Floriano Hermeto de Almeida Filho, que assinava simplesmente como FHAF. Com um traço marcante, cujo estilo lembrava o de grandes mestres como Guido Crepax e Jim Steranko, e histórias que ele fazia questão desenvolver, bem diferentes de tudo o que havia sido publicado até então, O Judoka ganhava novos rumos sempre que Floriano assumia o personagem. Como se pode ver nas imagens que ilustram este texto (e que podem ser ampliadas em alta resolução), FHAF deu uma grande guinada no personagem.
O Judoka #14 - Página 29 | CLIQUE AQUI PARA AMPLIAR ESTA IMAGEM EM ÓTIMA RESOLUÇÃO
Os quadrinhos acima, extraídos da página 29 da história de estréia de Floriano, A Caçada, publicada em O Judoka nº14, de maio de 1970, é uma das mais reproduzidas em diversos livros que tratam de quadrinhos, como alguns escritos por Moacy Cirne. Esta foi a notícia publicada e conta como Floriano chegou à Ebal com seus desenhos:

O número 7 da revista O Judoka apresentou a primeira aventura do Judoka brasileiro, desenhada pelo Eduardo Baron, do nosso quadro de desenhistas. O número seguinte foi desenhado pelo Mário José de Lima, nosso antigo colaborador. E assim foi. Baron desenhou ainda o número 9; do nº 10 até o nº13, os desenhos foram do Mário. Talvez os leitores fiquem intrigados com o fato de o Eduardo não ter desenhado nenhuma história a partir do número 10, mas acontece que ele entrou de férias e estava desenhando um novo álbum para a Ebal, Aprenda as Horas. Por isso, suspendeu os trabalhos da aventura do Judoka intitulada O Robô Assassino. Ela, porém, sairá logo depois da aventura Judoka #24 - Página de abertura | CLIQUE AQUI PARA AMPLIAR ESTA IMAGEM EM ÓTIMA RESOLUÇÃOdesenhada pelo Floriano. Mas, que Floriano é esse? Ah, vocês não sabiam? Bem, vamos contar toda a história, desde o início.

Desde garotinho, Floriano Hermeto de Almeida Filho gostava muito de ler histórias-em-quadrinhos. E foi um dia, já adulto, que resolveu desenhar uma HQ. Como achou boa a idéia de um herói brasileiro, decidiu ilustrar uma história do Judoka. Ele, porém, é engenheiro civil, e todo o seu dia está ocupado – de modo que ele só podia desenhar de noite. Concluída a história veio à Ebal pedindo para falar com nosso Diretor-Geral. E, como sempre é feito, os desenhistas são atendidos e seus trabalhos, examinados. E assim foi. Examinamos os desenhos, e achamos que estavam ótimos; pensamos até que ele fosse profissional. Mas o Floriano falou que era a primeira vez. A história será publicada no número 14 de O Judoka. Ele prometeu trazer mais histórias do Judoka, integrando assim o nosso quadro de desenhistas. Seu estilo é muito influenciado pelo de Guido Crepax, como poderão ver. Damos, aqui, uma amostra de como será a primeira da história.
História O Enigma, de FHAF - Página 20 | CLIQUE AQUI PARA AMPLIAR ESTA IMAGEM EM ÓTIMA RESOLUÇÃO
Para baixar papéis de parede do Judoka, CLIQUE AQUI.
Todas as imagens publicadas nesta postagem podem ser ampliadas em alta resolução.



Jayme Cortez no Congresso de Quadrinhos by Francisco

Jayme Cortez no I Congresso Internacional de Histórias em QuadrinhosLogo do CongressoNa revista O Judoka, nº23, de Fevereiro de 1971, publicada pela Ebal, ainda se liam os ecos do I Congresso Internacional de Histórias em Quadrinhos. Nessa edição foi publicada na seção Notícias em Quadrinhos a foto ao lado (clique nela para ampliá-la) com o seguinte texto:
“É o Jayme Cortez, com certeza. É com certeza o Jayme Cortez. Dono de um desenho espontâneo, livre, estilizado, acadêmico no bom sentido, dominando várias técnicas. A ele, devem-se algumas das melhores histórias-em-quadrinhos nacionais. Dele, são as capas e as ilustrações dos romances de José Mauro de Vasconcelos. Aí vemos o Cortez, sentado abaixo de telas pintadas pelo Leonardo, reproduzindo quadrinhos importantes.”

Esse texto é uma pequena pérola, uma homenagem a um grande desenhista… Jayme Cortez era português e além de ser um dos maiores ilustradores do Brasil, ele trabalhou como ator! É isso mesmo! Convidado por José Mojica Marins, o desenhista dos cartazes de seus filmes atuou em duas produções do Zé do Caixão.

Para ler mais sobre Jayme Cortez visite os links abaixo, mas comece pelo Nostalgia do Terror, onde há uma reprodução da primeira página de Zodiako e uma pequena biografia no link Quem é Quem, que surge num popup depois de clicar sobre a foto do mestre (que, aliás, está ao lado de outros grandes mestres do terror):
Wikipédia  -  Lambiek  –  Quadrinhos’51Jornal da ABI



Os papa-fina da profissão by Francisco

Na revista Reis do Faroeste – 3ª série, número 14, de fevereiro de 1971 – que, na época, apresentava as aventuras de Cheyenne –, foi publicada na seção Notícias em Quadrinhos, mais outra nota bem interessante sobre os encontros acontecidos durante o 1º Congresso Internacional de História em Quadrinhos. Eis a foto e o texto original:

Adolfo Aizen e os desenhistas papa-fina
Dois editores e cinco grandes do desenho: da esquerda para a direita, vemos Jayme Cortez, Maurício de Sousa, Eugenio Colonnese, Adolfo Aizen, Henrique Lipszic, Nico Rosso e Manuel César Cassoli. No mundo encantado das Histórias-em-Quadrinhos, todos os conhecem. Os editores são da Ebal e da Taika – um do Rio, e outro de São Paulo. Os desenhistas são a papa-fina da profissão. Jayme Cortez, autor de Dick Peter. Maurício de Sousa, o desenhista de Mônica e Cebolinha, é o primeiro brasileiro a industrializar os seus bonecos. Eugenio Colonnese, que se destacou com a Chamada Geral, edição comemorativa do 25º aniversário da Editora Brasil-América e agora ilustrando grandes feitos da História do Brasil: Independência, Libertação dos Escravos, República e outros. Enrique Lipszie, diretor da Escola Pan-Americana de Arte, movimentando centenas de siderados pelas histórias-em-quadrinhos. O grande Nico Rosso, nosso amigo de muitos anos, autor de uma grande parte das quadrinizações de Grandes Figuras do Brasil e de dezenas de quadrinizações de romances brasileiros para Edição Maravilhosa. Poucas vezes juntaram-se tantos heróis numa só fotografia. Mas tal fato ocorreu por ocasião do Congresso Internacional de Histórias-em-Quadrinhos, realizado em São Paulo. E a foto foi tirada na recepção que Enrique Lipszic ofereceu aos congressistas, em sua residência de Santo Amaro.




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