Arquivado em: Cinema - Filmes, Hanna-Barbera, Os Strunfs/Os Smurfs | Tags: Editora Vecchi, Johan e Pirlouit, Les Schtroumpfs, Ota, Peyo, Schtroumpf, Smurfs

Adoraria começar este texto assim: “Caros descrentes: o inferno existe. E ele é azul.” Mas uma frase quase igual a essa foi usada pelo Thiago, do Observatório Nerd, em seu texto sobre o filme Os Smurfs, que foi lançado com muita pompa nos cinemas com cópias até em 3D. Não que ele tenha detestado essa produção: “Não é um pesadelo, é apenas um sonho ruim“, escreveu. Ou seja, o filme não é uma tragédia! Sinceramente? Não acredito… Thiago foi muito benevolente. E basta assistir ao trailer para ter certeza disso. Bastam aqueles minutos para ver que Hollywood conseguiu strunfar Les Schtroumpfs completamente. Os duendes azuis de Peyo vão parar em Nova York? Coitados! Que falta de criatividade! Não vale nem a pena perder mais tempo com esse equívoco lamentável. O que importa agora é lembrar como eram os Smurfs antes dessa metamorfose, antes dos desenhos animados da Hanna-Barbera na tv.
No longíncuo ano de 1975 os duendes azuis ganharam uma revista pela Editora Vecchi (imagem ao lado). Sim… os simpáticos personagens foram batizados como Strunfs e não “Smurfs”. Segundo Otacílio d’Assunção, o nosso Ota, cartunista criador de pérolas como Dom Ináfio e dos incríveis Relatórios Ota, “o nome, com essa grafia, foi inventado pelo Lotário Vecchi”, que era diretor de publicações. Nessa época, o nome do Ota ainda aparecia no expediente como “Secretário” e, mais acima, Amália C. Vecchi era a ”Editora e Diretora”. Mas todo mundo sabia que o editor de quadrinhos era o Ota mesmo (essa injustiça foi corrigida em agosto, quando ele passou a “Diretor”). Mas, voltando aos Strunfs, na primeira edição da revista o “Secretário Otacílio” publicou um texto de
apresentação dos Strunfs na página de abertura da revista. O texto diz assim:
APRESENTANDO OS STRUNFS
No fundo da floresta, numa pequena aldeia em que as casas são do tamanho de cogumelos, mora um povo muito alegre e brincalhão que vive sempre na mais perfeita harmonia (ou quase!): são os Strunfs, uns duendes muito parecidos com os seres humanos – não no aspecto, mas na maneira de agir.
Os Strunfs são strunfados pelo Grande Strunf, que é o mais velho e o mais sábio de todos, responsável pelas decisões importantes da aldeia. Neste número, quando ele vai strunfar no mato à procura de algumas ervas medicinais que estão faltando em seu laboratório, os outros strunfs se strunfam para decidir quem vai ser o novo líder durante a ausência do Grande Strunf. E acabam strunfando uma votação que não deixa nada a dever às de verdade. O vencedor se torna o Strunfíssimo e as confusões que ele apronta como novo líder estõa nas páginas que seguem.
Mas como surgiram os Strunfs? Eles strunfaram pela primeira vez na revista francesa Spirou, como personagens secundários de uma aventura de Johan e Pirlouit (um cavaleiro da idade média e seu escudeiro). E o sucesso foi tão grande que logo eles passaram a ter uma historinha só para eles, e em seguida começaram a sair em álbuns de luxo. Seu criador, Peyo, é também autor de várias outras histórias importantes, todas elas inéditas no Brasil. E a Editora Vecchi, após o lançamento de Mad em Português, do relançamento de Pimentinha e vários outros personagens, está muito feliz por poder strunfar para o público brasileiro os Strunfs (como parte de uma nova série de lançamentos em quadrinhos que estarão nas bancas até o final do ano).
Pois bem… Foi assim que Os Duendes Strunfs chegaram ao Brasil. Conheça um pouco mais dessa história lendo este texto. Também leia o que foi publicado sobre os Schtroumpfs no blog As Leituras do Pedro, de Portugal. O legal é que, assim como eu, o Pedro também escreve “à revelia do triste acordo ortográfico em vigor”. Ele correctamente em português de Portugal, e eu corretamente em português do Brasil.
Para comprar alguns álbuns originais dos Strunfs você pode tentar este site.












