A carta do Kendy

Estava folheando a revista Tarzan-Bi nº21, de maio-junho de 1971, e fiquei surpreso em encontrar o nome de meu amigo Kendy, fã de Tarzan e grande colecionador de quadrinhos, numa das cartas respondidas nas Notícias em Quadrinhos, coluna de notinhas presente na maioria das publicações periódicas da Ebal, onde os editores interagiam com seus leitores. Pois bem… o texto publicado foi esse:

Kendi Sakamoto, de Monte Alto (Sp). Para receber o álbum que você deseja, é preciso que nos mande o cupom devidamente preenchido. Só aceitamos desenhos de leitores para julgá-los e dar orientação a quem gosta de desenhar – como colaboração, não. Se você gosta de desenho – e quer ser um desenhista de verdade – procure conhecer o nosso álbum “O Desenho Passo a Passo” (Coleção HQ, nº 4), que custa Cr$ 2,00.Franco de Rosa e Kendy Sakamoto
Na foto ao lado, vemos Kendy (D), 34 anos depois de ter escrito a carta acima, ao lado do quadrinista e editor Franco de Rosa, durante a tarde de autógrafos do álbum O Desenho Magnífico de Rodolfo Zalla, que aconteceu em 2 de abril do ano passado na Comix, em São Paulo.
Se você quer conhecer o traço do craque argentino Zalla, leia aqui a história A Única Testemunha de Rubens F. Lucchetti.

Um comentário em “A carta do Kendy

  1. Tudo começou quando eu tinha 12 anos incompletos. Era março de 1972, quando eu vi pela primeira vez um gibi da Ebal. Morava no interior, e na minha cidadezinha, pouco mais que uma vila, não havia banca de jornais. Tinha que se deslocar para Porto Novo (hoje conhecida por Além Paraíba – MG). Fiquei seduzido pela aparência esmerada da revista que meu pai, então, me comprou. Era do Zorro, daquela edição especial em cores. Percebi que o mundo tinha ainda mais graça na graça já vivenciada por mim, morando naquele pequenino lugar abençoado. Ter acesso às revistas da Ebal, passou a ser um motivo a mais para expandir meus sonhos, já que eu sempre gostei de desenhar. E aqueles desenhos dos quadrinhos eram muito bem feitos, elaborados à bico-de-pena, com atenção aos detalhes anatômicos dos personagens, ambientações e mobiliários. As capas plastificadas e belas, com ilustrações bem resolvidas e coloridas, impressas sobre papel encorpado, o que atiçava ainda mais meus desejos de moleque artista.
    O tempo passou, eu cresci e vim para o Rio trabalhar com arte. No comecinho dos anos de 1990, fui saciar meu antigo sonho de 1972: tornar-me ilustrador para trabalhar para a Ebal. Sr. Naumin Aizen me atendeu cordialmente, mas esvaziou meus pensamentos inflados pelo desejo de fazer parte daquela fábrica de sonhos. Da conversa restou apenas para mim uma coisa, que eu trouxe comigo de volta: o desejo, tão somente. Ela, a grande editora acabou a seguir. Ela não podia fazer isso com a gente, ex-crianças, porque, fomos alimentados com aqueles nutrientes mensais, expostos convidativamentes nas bancas. Uma editora como ela não! A Ebal não.
    Contudo, trabalhei depois com editoras, onde pude mostrar meu trabalho. Mas a Ebal deixou a mim e centenas de milhares de brasileiros a ver navios. Ela parou de imprimir sonhos em cores.
    Obrigado pela oportunidade,
    J G Fajardo

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