Medo, fé e o big brother

No dia 25 de maio, o jornalista Carlos Heitor Cony publicou este artigo na página de Opinião do jornal Folha de S.Paulo. É curto e vai direto ao ponto. Além disso, cita um dos melhores livros já escritos e um dos melhores filmes já realizados. Quem é assinante da Folha ou do UOL tem acesso livre ao texto clicando aqui. Mas, quem não é, não tem acesso à página. Por isso, devido à sua importância, reproduzo o texto abaixo. Além disso, sugiro alguns sites sobre o filme Tempos Modernos, de Charles Chaplin, para quem quiser saber mais.
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Tempos modernos

RIO DE JANEIRO – No meio do trânsito, o motorista diminuiu a marcha do carro, que ficou reduzido à velocidade de um pedestre. Estranhei a mudança, ele me apontou um esquisito negócio pendurado no poste mais próximo e informou: “É o “Big Brother'”.

A expressão pegou graças ao famoso romance de George Orwell (“1984”), que virou série em TVs de todo o mundo, representando a perda de privacidade dos cidadãos que ficam dispostos e expostos ao olho implacável de uma câmera ligada ao estado-maior ou ao Grande Irmão que patrulha todas as ações da sociedade.

A primeira referência a esse tipo de poder universal não é de George Orwell nem de seu livro, publicado em 1949. Antes dele, em 1935, Charles Chaplin, em “Tempos Modernos”, já mostrava a potencialidade da tecnologia na guarda dos valores da classe dominante sobre o resto da manada.

O operário Carlitos, estressado na esteira de montagem de uma fábrica monstruosa, onde aperta parafusos alucinadamente, pede ao capataz de seu setor a licença para ir ao banheiro. Mal entra ali, numa imensa tela que ocupa toda a parede, aparece em “close” o dono da fábrica, de cara amarrada, que o recrimina com aspereza, ordenando-lhe que retorne imediatamente ao trabalho: a produção não pode parar.

O filme de Chaplin continua sendo a crítica mais contundente aos tempos modernos, mas nada tem de reacionário, pelo contrário: em alguns países, foi proibido por ser propaganda comunista.

Embora nunca tenha confessado, esta cena foi o ponto de partida para Orwell criar o Big Brother, cuja amplitude é maior, universal. Na Idade Média, quando a tecnologia da época era bem mais primitiva, os anacoretas e ascetas colocavam em suas tendas ou celas um cartaz com o aviso: “Deus me vê!”.
Dá mais ou menos no mesmo.

Para ler mais sobre Tempos Modernos, visite estes sites:
• Wikipedia em
inglês e em português
Modern Times – Página sobre o filme de Chaplin, da Kino International
• Assista a um trecho do filme no
Kewego

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