Os heróis estão deprimidos?

O texto abaixo, em azul, e a ilustração que mostra o Capitão, Batman e Hulk, foram publicados no número 20 da revista Cheyenne (Reis do Faroeste), da Ebal, em agosto de 1971, na sessão Notícias em Quadrinhos, que tradicionalmente figurava na segunda página das revistas da editora:

Na introdução de seu artigo “Os Heróis Estão na Fossa?” (Revista de Cultura Vozes, nº 4, maio de 1971), Fernando Albagli escreveu o seguinte:
“Que aconteceu aos heróis nos últimos vinte e cinco anos? É válido comparar as diversas fases de suas aventuras, fazendo-se a divisão delas em duas partes distintas: antes e depois da década de 60.
“Vários super-heróis foram revividos após algum tempo de inatividade; outros modificaram-se (aos poucos ou bruscamente); finalmente, há os que surgiram já sob a égide da era supertecnológica.”

Esse texto de Fernando Albagli parece muito atual. Desde os anos 90 as editoras americanas procuram ajustar seus personagens aos novos tempos. As novidades tecnológicas que surgiram nos últimos anos tiram cada vez mais leitores de suas revistas e elas buscam alternativas desesperadas para conseguir vender mais. Assim, os personagens saíram do papel impresso para ganhar vida nas mais diversas mídias. Por outro lado, a substancial melhora na qualidade de impressão dá aos desenhistas mais recursos para criação artísticas magistrais.

Porém, com o mundo envolvido em guerras e com terrorismo, além dos efeitos da globalização, a sedução da violência parece ter afetado os super-heróis, que também mudaram muito nos últimos 25 anos.

Agora, suas aventuras podem ser divididas em mais fases. Algumas caóticas.

O século de Adolfo Aizen

No último domingo, dia 10 de junho, comemorou-se o centenário de nascimento de um dos mais importantes editores do país, criador do Suplemento Juvenil, fundador da Editora Brasil-América – a lendária Ebal –, e um dos pilares da implantação e fomento das modernas histórias em quadrinhos no país. Seu nome: Adolfo Aizen. Entre suas proezas está a de criar um suplemento de quadrinhos, na primeira metade dos anos 30, com os mais destacados personagens do mundo da época, quando ninguém acreditava que essa idéia pudesse, sequer, ser implementada no Brasil. Ele também trouxe os heróis da Marvel que nos anos 60 revolucionaram a maneira de contar histórias seqüenciais.

Nossa forma de homenagear o editor, foi postar o texto e foto abaixo, publicado originalmente na revista Cheyenne (Reis do Faroeste), nº9, de setembro de 1970. Pelo texto, percebe-se claramente como foi emocionante para Adolfo Aizen, a comemoração dos 25 anos de fundação de sua editora. Leia e curta o momento: Aniversário de 25 anos de fundação da Ebal
A hora maior do bolo maior.

Passava já das oito horas da noite, quando o Bolo Gigante teve a sua primeira fatia cortada pelo Diretor da Editora. Dentro e fora do Refeitório, mais de mil convidados se comprimiam, depois da Chamada Geral de todos os heróis de verdade – aqueles que há Chamada Geralmais de vinte anos trabalham conosco; aqueles que mesmo sem ter todos esses anos de trabalho contínuo, continuam prestando-nos a sua colaboração; aqueles que, pelo parentesco, lembram carinhosamente aqueles a quem Deus levou. Vinte e cinco, ao todo. As velas foram acesas. As luzes de toda a rede elétrica foram apagadas. E, acompanhados pela Banda Marcial da Escola de Cadetes da Polícia Militar da Guanabara, ouviu-se o Parabéns Pra Você… cantado por todos os presentes. A mais viva emoção e alegria reinavam no ambiente. E foi então que, seguindo-se à canção Parabéns, ouviu-se o hino Cidade Maravilhosa. Horas inesquecíveis viveu a Editora Brasil-América, no dia 29 de maio de 1970, comemorando o 25º Aniversário de sua fundação.
Agora, só em 1995…

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Aizen morreu em 10 de junho de 1991. A última edição do álbum de luxo de O Príncipe Valente lançado pela Ebal foi publicado em 1995.

Para saber mais sobre Adolfo Aizen, compre a revista Cult nº113 e leia a matéria sobre o centenário do editor, escrita por Gonçalo Jr., autor do livro (imperdível) A Guerra dos Gibis. Este texto também pode ser lido neste link mas, de qualquer modo, não deixe de comprar a revista, que é ótima.
Leia também o verbete sobre a Ebal na Wikipédia.

Você pode ampliar as fotos que ilustram este texto. Basta clicar nelas.

A Ebal do jornalista Adolfo Aizen

Editora Brasil-América LtdaImagine uma época muito mais inocente do que a atual. Imagine um país recentemente saído de uma ditadura das mais cruéis, cujo governante as pessoas fariam voltar ao poder, algum tempo depois, pelo voto direto. Imagine uma nação saída de uma época de racionamentos feitos em nome de uma guerra em que foi coagida a combater.
Uma época sem televisão, em que futebol se via no estádio ou se ouvia pelo rádio, onde também habitavam os artistas favoritos e muitas vezes os heróis mais queridos.
Imagine uma época em que crianças podiam brincar nas ruas das grandes cidades sem nenhum receio maior do que ter um joelho esfolado. Um tempo em que, ao entrar num cinema, uma entrada lhe dava direito a assistir a um desenho, um noticiário, um episódio de um seriado de aventuras e, por fim, o filme principal.
Imagine uma época em que o maior “crack da pelota” tinha o apelido de “Diamante Negro” (aliás, o chocolate tem esse nome por causa dele, o centroavante Leônidas da Silva); a maior cantora, Carmen Miranda, era “A Pequena Notável”; uma cidade como São Paulo era chamada de “Terra da Garoa”; e o presidente era “O Primeiro Mandatário da Nação”.
Suplemento JuvenilSó mesmo imaginando um país assim, numa época tão distante, você entenderá por que aquela nova editora que surgia no Rio de Janeiro logo ganhou o apelido de “O Reino Encantado das Histórias em Quadrinhos”.

Com estes parágrafos acima, publicados no excelente site Universo HQ, Toni Rodrigues inicia uma bela homenagem a uma das mais simpáticas editoras que já existiram no país: a Editora Brasil-América Ltda, ou simplesmente Ebal. Hoje, a casa publicadora de Adolfo Aizen estaria fazendo 62 anos, mas o texto foi publicado há dois anos, com o título de Ebal 60 anos: uma celebração.

O Judoka, um herói brasileiroLeia e descubra várias pequenas curiosidades sobre suas publicações. Saiba que um dia Lois Lane, a namorada do Super-Homem, foi chamada de Míriam; que Aquaman era o Homem-Submarino, e que a hoje famosa Mulher-Maravilha era Miss América, num óbvio contraponto feminino ao Capitão América (afinal eles são o casal mais bandeira dos quadrinhos). Heróis como Elektron e Gavião Negro foram batizados pela editora e ainda hoje são assim conhecidos. O autor não esquece dos quadrinhos nacionais (como O Judoka, que um dia foi parar no cinema) e, claro, da chegada da Marvel à editora (e ao Brasil). Ao mesmo tempo em que você lê o artigo do Toni, ainda pode matar as saudades das publicações da editora (ou conhecê-las), pois o texto é ilustrado com diversas capas inesquecíveis.

Quadrinhos - Os JusticeirosMas se você quer ver mais capas digitalizadas da Ebal, não deixe de visitar a área reservada à editora no site GibiHouse. Nessa página há sete links. Cada um deles leva a um grupo de revistas onde são encontradas imagens em ótima resolução da maioria das revistas publicadas pela empresa. É uma viagem visual pela história da Ebal.

O texto do Toni foi dividido em duas partes. A primeira parte pode ser lida clicando-se aqui. A segunda parte está aqui. Há também três galerias com imagens de capas de revistas que podem ser visitadas a partir dos links publicados no final do texto.

Aproveite sua visita ao Universo HQ e leia a resenha escrita por Sidney Gusman sobre o livro A Guerra dos Gibis, de Gonçalo Júnior, publicado pela Companhia das Letras. Esse livro é imperdível para quem se interessa pela história dos quadrinhos no Brasil (mas é bom saber que Adolfo Aizen detestava o termo “gibi”, que era marca de seu concorrente).

Se você gosta de wallpapers, conheça alguns que fiz a partir de imagens que digitalizei nas revistas da Ebal, clicando aqui. Leia também o que foi publicado sobre a Ebal neste blog clicando aqui (ou no menu ao lado).

Uma homenagem a Monteiro Filho

Leia o belo texto abaixo, publicado em janeiro de 1971 na revista O Judoka nº22, da Ebal, sobre o Suplemento Juvenil e o I Congresso Internacional de Histórias em Quadrinhos que aconteceu no Museu de Arte de São Paulo (MASP) em novembro de 1970. O texto acaba sendo uma pequena homenagem ao grande desenhista Monteiro Filho:

Adolfo Aizen no Congresso de Quadrinhos
Logo do Congresso de Histórias-em-Quadrinhos“Os siderados, os conhecedores, os estudiosos das histórias-em-quadrinhos, sediaram a época em que apareceu o Suplemento Juvenil, no Rio, como a Época de Ouro – 1934-1940. E foi assim que apareceu no grande cartaz da Exposição do Museu de Arte de São Paulo, quando da realização do Congresso Internacional de Histórias-em-Quadrinhos. O homem a quem se deve essa Época de Ouro, atual Diretor da Editora Brasil-América, aqui aparece em frente ao painel, revendo os nomes dos seus colaboradores daquele tempo: J.Carlos, Carlos A. Thiré, Francisco Aquarone, Israel Ferreira, Luís Sá, Renato Silva, Rodolfo Iltscke, Sigismundo Walpetéris, Solón Botelho, Théo, Monteiro Filho e quantos outros! De todos, Monteiro Filho até agora continua conosco, cada vez melhor, cada vez mais amigo, cada vez mais trabalhador. Felizes os homens de empresa que têm um Monteiro Filho ao seu lado! E o Diretor da Ebal é um homem feliz.”

Clique na foto acima para ampliá-la

Jayme Cortez no Congresso de Quadrinhos

Jayme Cortez no I Congresso Internacional de Histórias em QuadrinhosLogo do CongressoNa revista O Judoka, nº23, de Fevereiro de 1971, publicada pela Ebal, ainda se liam os ecos do I Congresso Internacional de Histórias em Quadrinhos. Nessa edição foi publicada na seção Notícias em Quadrinhos a foto ao lado (clique nela para ampliá-la) com o seguinte texto:
“É o Jayme Cortez, com certeza. É com certeza o Jayme Cortez. Dono de um desenho espontâneo, livre, estilizado, acadêmico no bom sentido, dominando várias técnicas. A ele, devem-se algumas das melhores histórias-em-quadrinhos nacionais. Dele, são as capas e as ilustrações dos romances de José Mauro de Vasconcelos. Aí vemos o Cortez, sentado abaixo de telas pintadas pelo Leonardo, reproduzindo quadrinhos importantes.”

Esse texto é uma pequena pérola, uma homenagem a um grande desenhista… Jayme Cortez era português e além de ser um dos maiores ilustradores do Brasil, ele trabalhou como ator! É isso mesmo! Convidado por José Mojica Marins, o desenhista dos cartazes de seus filmes atuou em duas produções do Zé do Caixão.

Para ler mais sobre Jayme Cortez visite os links abaixo, mas comece pelo Nostalgia do Terror, onde há uma reprodução da primeira página de Zodiako e uma pequena biografia no link Quem é Quem, que surge num popup depois de clicar sobre a foto do mestre (que, aliás, está ao lado de outros grandes mestres do terror):
Wikipédia  –  Lambiek  –  Quadrinhos’51Jornal da ABI

Assim no Iraque como no Vietnam

Crise existencial do Capitão América - CLIQUE PARA AMPLIAR ESTA IMAGEM
Reli o capítulo de autoria de Jô Soares no livro Shazam!, de Álvaro de Moya (série Debates; Editora Perspectiva), onde ele escreve sobre o ressurgimento do Capitão América e suas conseqüências. Lá pelas tantas, ao comentar sobre o retorno do “moderno deus da guerra” após o ostracismo que o personagem viveu quando terminou a Segunda Guerra Mundial ao “passar por um longo período de hibernação”, o autor pergunta (mas não responde): “Terá a sua reaparição alguma coisa a ver com a participação dos EUA no Vietnã?”. Não satisfeito, Jô continua a questionar: “Que rumo tomaria a crise no sudoeste asiático com a participação ativa do Capitão América?”. No final de sua análise, Jô levanta apenas duas saídas: “ou o Capitão América, evocando suas glórias passadas, desperta novamente o antigo chauvinismo (…) ou terá que travar uma luta solitária e suicida nos pantanais do Vietnã”.

Na imagem acima (clique nela para ampliá-la) vemos um Capitão em dúvida existencial e ideológica em pleno final da década de 60, e esse fato foi um marco para os quadrinhos (a revista foi lançada em dezembro de 1969 nos EUA). A história – de Stan Lee, magistralmente ilustrada por Gene Colan e Joe Sinnott – se chama O Ferrão do Escorpião e foi publicada, no Brasil, na revista A Maior nº5, da Editora Brasil-América, em outubro de 1970. O herói-bandeira se perguntava se os rebeldes estavam errados e lamentava: “não fui ensinado a aceitar as regras de hoje em dia!”, para depois colocar em dúvida tudo pelo qual lutou: “talvez fôsse melhor eu ter lutado menos e perguntado mais”.

Hoje, 35 anos depois do lançamento do livro de Álvaro de Moya, parece que o Capitão despertou de vez o antigo chauvinismo (será que algum dia esse fanatismo americano esteve adormecido?) e está mais decidido do que nunca a lutar contra os inimigos da (estátua da) liberdade. Deve ser por isso que os EUA tem um saldo tão positivo na Guerra do Iraque.

PS: A revista A Maior também trazia as aventuras do Homem de Ferro e Thor.

Para baixar papéis de parede do Capitão América, clique aqui.

A carta do Kendy

Estava folheando a revista Tarzan-Bi nº21, de maio-junho de 1971, e fiquei surpreso em encontrar o nome de meu amigo Kendy, fã de Tarzan e grande colecionador de quadrinhos, numa das cartas respondidas nas Notícias em Quadrinhos, coluna de notinhas presente na maioria das publicações periódicas da Ebal, onde os editores interagiam com seus leitores. Pois bem… o texto publicado foi esse:

Kendi Sakamoto, de Monte Alto (Sp). Para receber o álbum que você deseja, é preciso que nos mande o cupom devidamente preenchido. Só aceitamos desenhos de leitores para julgá-los e dar orientação a quem gosta de desenhar – como colaboração, não. Se você gosta de desenho – e quer ser um desenhista de verdade – procure conhecer o nosso álbum “O Desenho Passo a Passo” (Coleção HQ, nº 4), que custa Cr$ 2,00.Franco de Rosa e Kendy Sakamoto
Na foto ao lado, vemos Kendy (D), 34 anos depois de ter escrito a carta acima, ao lado do quadrinista e editor Franco de Rosa, durante a tarde de autógrafos do álbum O Desenho Magnífico de Rodolfo Zalla, que aconteceu em 2 de abril do ano passado na Comix, em São Paulo.
Se você quer conhecer o traço do craque argentino Zalla, leia aqui a história A Única Testemunha de Rubens F. Lucchetti.

Os papa-fina da profissão

Na revista Reis do Faroeste – 3ª série, número 14, de fevereiro de 1971 – que, na época, apresentava as aventuras de Cheyenne –, foi publicada na seção Notícias em Quadrinhos, mais outra nota bem interessante sobre os encontros acontecidos durante o 1º Congresso Internacional de História em Quadrinhos. Eis a foto e o texto original:

Adolfo Aizen e os desenhistas papa-fina
Dois editores e cinco grandes do desenho: da esquerda para a direita, vemos Jayme Cortez, Maurício de Sousa, Eugenio Colonnese, Adolfo Aizen, Henrique Lipszic, Nico Rosso e Manuel César Cassoli. No mundo encantado das Histórias-em-Quadrinhos, todos os conhecem. Os editores são da Ebal e da Taika – um do Rio, e outro de São Paulo. Os desenhistas são a papa-fina da profissão. Jayme Cortez, autor de Dick Peter. Maurício de Sousa, o desenhista de Mônica e Cebolinha, é o primeiro brasileiro a industrializar os seus bonecos. Eugenio Colonnese, que se destacou com a Chamada Geral, edição comemorativa do 25º aniversário da Editora Brasil-América e agora ilustrando grandes feitos da História do Brasil: Independência, Libertação dos Escravos, República e outros. Enrique Lipszie, diretor da Escola Pan-Americana de Arte, movimentando centenas de siderados pelas histórias-em-quadrinhos. O grande Nico Rosso, nosso amigo de muitos anos, autor de uma grande parte das quadrinizações de Grandes Figuras do Brasil e de dezenas de quadrinizações de romances brasileiros para Edição Maravilhosa. Poucas vezes juntaram-se tantos heróis numa só fotografia. Mas tal fato ocorreu por ocasião do Congresso Internacional de Histórias-em-Quadrinhos, realizado em São Paulo. E a foto foi tirada na recepção que Enrique Lipszic ofereceu aos congressistas, em sua residência de Santo Amaro.

Henfil surge meteoricamente

Congresso Internacional de Histórias em QuadrinhosNas Notícias em Quadrinhos publicadas na revista Tarzan – 3ª Série – número 66, de março de 1971, da Ebal, lemos a nota sobre a aparição meteórica de Henfil no mais importante evento dos quadrinhos no Brasil em 1970. O texto foi publicado assim:

Clique para ampliar - Henfil no Carro de Álvaro de MoyaNo Congresso Internacional de Histórias-em-Quadrinhos, quem surgiu meteoricamente – e desapareceu mais rápido ainda – foi Henfil, o genial criador de “Os Fradinhos” (O Pasquim) e “O Urubu” (Jornal dos Sports). A razão da superveloz aparição foi o acúmulo de trabalho que ele é obrigado a fazer, pois o homenzinho tem compromissos até dizer chega. Mas o Henfil tinha prometido aparecer no congresso – e apareceu. Aí o vemos em dois flagrantes: o primeiro, no carro do Álvaro de Moya; o segundo mostra-o cansado, lendo um exemplar de Chamada Geral.
Clique para ampliar - Henfil no Congresso

O Congresso de quadrinhos de 1970

I Congresso Internacional de Histórias em QuadrinhosO I Congresso Internacional de Histórias em Quadrinhos que aconteceu no Museu de Arte de São Paulo (MASP) em novembro de 1970 – ou seja, há quase 36 anos –, foi um verdadeiro marco histórico. Em fevereiro do ano seguinte, algumas revistas da Ebal trouxeram fotos e textos sobre o evento. A seguir reproduzo o que foi publicado na seção Notícias em Quadrinhos das revistas A Maior, nº 9 (que publicava as aventuras de Thor, Capitão América e Homem de Ferro) e O Demolidor, nº 23. Repare na qualidade dos textos (clique nas fotos para ampliá-las):

• Uma vista geral da Exposição Internacional de Histórias-em-Quadrinhos, realizada no Museu de Arte de São Paulo. É a parte inicial, que se refere a O Tico-Tico, até 1933. Milhares de pessoas visitaram a mostra.
Exposição Internacional de Quadrinhos
(NR: Se repararmos bem na foto acima, veremos o super-herói brasileiro Raio Negro e a onomatopéia básica do Fradim).
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• A época de Ouro, que vai de 1934 a 1940, é a do Suplemento Juvenil. Na foto, um pouco desfocada, vêm-se Adolfo Aizen (o responsável por essa época) e Paulo Adolfo Aizen, seu filho, um dos dirigentes da Ebal, atualmente.
Adolfo e Paulo Adolfo Aizen

• Em frente a um painel do primeiro desenho de uma história-em-quadrinhos, em estilo atual — Os Exploradores da Atlântida ou As Aventuras de Roberto Sorocaba, de autoria de Monteiro Filho — o Diretor da Editora Brasil-América relembra quando esse desenho foi publicado em 1934 e o sucesso que causou nos meios juvenis.
Clique na foto para ampliá-la

• A par do Congresso Internacional de Histórias-em-Quadrinhos (São Paulo, novembro de 1970), houve jantares, oferecidos pelos casais Klabin Segall e Manoel Victor Filho, ambos principescos. No último dia do congresso, porém, o casal Pietro Maria e Lina Bo Bardi convidou todos os participantes para uma feijoada em sua mansão no Morumbi. Aí temos um flagrante, onde, entre outros, aparecem Caude Moliterni, Robert Gigi, Phillippe Druillet, Jayme Cortez e Álvaro de Moya. A feijoada, completa e complementada com um delicioso caju-amigo, ficará inesquecível entre todos os participantes do Congresso Internacional de Histórias-em-Quadrinhos.
Clique na foto para ampliá-la

O Fernando da Ebal

Fernando Albagli, por Eugênio ColonneseDomingo, o jornal O Globo publicou, na terceira página de seu Segundo Caderno, uma matéria sobre a sessão-homenagem ao crítico de cinema Fernando Albagli, que aconteceu no cinema Odeon BR nesse mesmo dia, às 12h, com a exibição do grande clássico As Férias do Sr. Hullot, de Jacques Tati. A sessão foi preparada por seus familiares e pela editora que publicou seu livro mais famoso – Tudo Sobre o Oscar –, a Zit Editora. O jornalista Bruno Porto escreve em sua matéria, sobre Fernando e sua obra:

“Fernando Albagli escreveu aquele que é considerado o livro definitivo em língua portuguesa sobre o prêmio cinematográfico  mais importante do mundo, Tudo Sobre o Oscar. Com 706 páginas, o livro lançado em 2003, é um desdobramento de um trabalho iniciado por Albagli nos anos 80, nas páginas da revista Cinemin, que ele editou e influenciou gerações de cineastas e cinéfilos brasileiros.

Através da Edições Cinemin, ele publicou uma série de livros sobre cinema. Crítico do Jornal do Brasil e do site Críticos.com (que ele ajudou a fundar), Albagli traduziu, com um de seus quatro filhos, Benjamin Albagli, o livro A Linguagem Secreta do Cinema, do francês Jean-Claude Carrière, uma das bíblias dos roteiristas de cinema.

Paralelamente, ele escreveu os romances infanto-juvenis Asas e Cavalo do Mocinho, lecionou português e trabalhou como diretor industrial da Editora Brasil-América. Fernando Albagli morreu aos 67 anos, de câncer.”

O Fernando, da Ebal, apareceu em uma história em quadrinhos, numa edição muito especial comemorativa dos 25 anos da lendária Editora Brasil-América, intitulada Chamada Geral. Desenhada pelo mestre genial, Eugênio Colonnese, lá na página 18 vemos a imagem dos quatro fantásticos diretores da Ebal, entre eles, Albagli (Clique no link ou na imagem acima, que ilustra este texto, para ver o quadrinho dessa história ampliado).

No dia 4, Ruy Jobim Neto publicou uma matéria no Bigorna.net sobre o “seu Fernando”, como ele o chama. Clique aqui para ler.

Conheça os livros escritos pelo Fernando aqui.

Mais duas fotos do “Álbum de Família”

Com estas duas, encerro a publicação da série de fotos que selecionei na página Álbum de Família da Edição Comemorativa do Cinqüentenário de Publicação do Suplemento Infantil de A Nação:
Adolfo Aizen, Austregésilo de Athayde e Josué Montell
Adolfo Aizen, Austregésilo de Athayde e Josué Montello

Aizen é premiado na Academia Brasileira de Letras. Eis a legenda publicada:
A Medalha Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras é entregue a Adolfo Aizen pelo presidente daquela instituição, Dr. Austregésilo de Athayde. Ao lado, o acadêmico Josué Montello.
Clique aqui para ampliar a foto.

Adolfo Aizen e Monteiro Filho
Com Monteiro Filho, em 1984

Aizen aparece ao lado do grande desenhista Monteiro Filho, nesta foto de 1984. A legenda publicada na página Álbum de Família é a seguinte:
15 dias antes da impressão desta Edição Comemorativa do Cinquentenário, Adolfo Aizen e A. Monteiro Filho são fotografados, no museu de HQ da Ebal, por Ywaltair de Barros Muniz (35 anos trabalhando na Editora Brasil-América).
Clique aqui para ampliar a foto.

Adolfo Aizen e Herbert Moses

O grande jornalista Herbert Moses, então presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), aparece na foto publicada na página “Álbum de Família” da Edição Comemorativa do Cinqüentenário de Publicação do Suplemento Infantil do jornal carioca A Nação, ao lado de Adolfo Aizen, num jantar oferecido ao futuro criador do Suplemento Juvenil.Herbert Moses presente ao jantar em homenagem a Adolfo Aizen
Clique aqui para ampliar a foto

Na legenda, lê-se o seguinte:
Jantar oferecido a Adolfo Aizen, pelos seus amigos, no Bar das Flores, em agosto de 1933. Razão: escolha do seu nome pelo Comitê de Imprensa do Touring Club do Brasil, para uma viagem aos Estados Unidos, representando os jornais e revistas do País. Sentados, da esquerda para a direita: Harold Daltro, Hildebrando de Lima, Povina Cavalcanti, Herbert Moses, Adolfo Aizen (o homenageado), Afonso Costa, Berilo Neves, Ribeiro Couto, Paulo Magalhães. De pé, na mesma ordem: Abellard Filho, Amorim Neto, R. Magalhães Júnior, Márcio Reis e Walter Bellucci.