Batman: Bigger and Better

Capa de Nela Adams
O número 241 da revista Batman, da DC Comics, lançada nos Estados Unidos em maio de 1972 (ou seja, há quase 41 anos!) foi uma edição especial com 52 páginas. Normalmente essas revistas em quadrinhos tinham, por padrão, apenas 36 páginas e o preço era de 20 cents. Mas essa foi uma época em que a DC aumentou o número de páginas de algumas de suas mais populares revistas em quase um terço, subindo o preço de capa a um percentual bem menor. A garotada pagava apenas um quarto de dólar, ou seja, 25 cents, para ter ainda mais aventuras com seus heróis preferidos. Essa campanha foi chamada de “Bigger and Better” e visava, claro, aumentar as vendas das revistas. A capa desta edição é uma das mais icônicas já publicadas com o Homem-Morcego. Ela foi desenhada por Neal Adams, que estava envolvido na revitalização do personagem.

Baixe aqui wallpapers feitos a partir de imagens desta revista!
At Dawn Dies Mary MacGuffin!
A revista publicou três histórias. A primeira se chama At Dawn Dies Mary MacGuffin! e foi roteirizada por Denny O’Neil e desenhada pela dupla Irv Novick e Dick Giordano, que procuravam manter o estilo que Neal Adams imprimiu ao Cruzado de Capa (como se pode ver nas três páginas da história reproduzidas nesta postagem).

Página 6
A segunda história é uma aventura solo de Robin, “The Teen Wonder” escrita por Mike Friedrich e desenhada por Rich Buckler. A aventura, que continua na edição seguinte, foi chamada de Secret of the Psychic Siren e teve a participação especial de Kid Flash, seu companheiro de lutas na Turma Titã.
Robin, The Teen Wonder
Para completar a edição, uma aventura clássica de Batman and Robin, publicada no número 5 da revista, em 1941. Come Down Memory Lane foi escrita por Bill Finger e desenhada pelo criador do personagem: Bob Kane. Na 9ª página da história, um suspense: Batman encontra Robin mortalmente ferido e, ao ver o Cruzado de Capa carregando o corpo inerte do garoto, o leitor tem a sensação de que é o fim do Menino-Prodígio. Mas que nada. Nos três últimos quadrinhos Robin aparece sorridente deitado na cama de um hospital vestindo o seu uniforme (isso mesmo: deitado com uniforme, com máscara e tudo!!!) ao lado de Batman, que também está acamado recuperando-se de um ferimento. E o Homem-Morcego não perde a pose! Está com o seu uniforme!!! É sério! Essas histórias eram muito bobas mesmo!  :)
Batmovel
Batman e Robin
Leia mais sobre Batman, neste link.

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Coração satânico: o dualismo de Batman e Coringa

Poster horizontal do Coringa - CLIQUE PARA AMPLIAR EM ALTA RESOLUÇÃO
Clique aqui para ler mais e ver mais fotos e posteres do filme.A revista Veja da semana passada – edição 2069 – publicou uma excelente matéria analítica de sua editora de cinema, Isabela Boscov, sobre Batman, O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight) intitulada Direto do coração das trevas. Se você quer conhecer um pouco mais sobre as nuances psicológicas que aproximam os dois antagonistas do filme e como o diretor Christopher Nolan (sobre ele publicarei em breve um texto) costura com extrema competência a ação do filme, a leitura dessa matéria é bastante oportuna. Isabela dá toda a dimensão desta produção em duas páginas da revista.

Como num bom filme de super-herói, o texto não perde tempo e vai direto ao ponto ao afirmar que a superprodução da Warner oferece “não só o melhor vilão de todas as adaptações dos quadrinhos para o cinema, como também, mais propriamente, o primeiro que não é uma caricatura ou uma invenção pueril. (…) O mais existencialista dos super-heróis ganha, assim, um adversário que é o seu exato oposto e complemento – um niilista“. Quadrinhos não é coisa só para crianças, embora por muito tempo essa arte tenha sido considerada menor e destinada ao público infantil. Daí, a idéia equivocada de que as adaptações para cinema de personagens saídos das páginas dos “gibis” deveriam ser simplórias.
Batman - CLIQUE PARA AMPLIAR ESTA FOTO
Heath Ledger como Coringa - CLIQUE PARA AMPLIARMas os quadrinhos, como em qualquer área da produção cultural, têm produtos infantis, juvenis e adultos. Parece simples isso, não? Portanto, as adaptações para cinema de personagens e histórias oriundas dos quadrinhos têm que ser respeitadas como qualquer outro tipo de obra. O homem-morcego já foi construído para esses diferentes públicos. Mas, definitivamente, Batman não deveria ser um personagem superficial para ser consumido apenas como um leve entretenimento infantil.

O diretor Chris Nolan sabe disso e se serve do dualismo dos personagens principais para compor a densa história do filme. Em seu texto, Isabela afirma que “a distorção que é o Coringa passa aqui a definir também Batman. Na verdade, quase que o explica. Tudo o que o milionário Bruce Wayne e seu alter ego heróico têm de perfeito e composto, o Coringa tem de desfeito e desorganizado“. Isso define perfeitamente o que os quadrinhos passaram a valorizar desde 1970, quando Neal Adams, Dennis O’Neil e Dick Giordano assumiram o personagem na revista Detective Comics. Com essa trinca de artistas, Batman retomava o lado sombrio de suas histórias e começava a ganhar uma estrutura emocional definitiva, colocando seu universo em outro patamar criativo.
Poster certical com Bat-pod - CLIQUE PARA AMPLIAR  Poster vertical - CLIQUE PARA AMPLIAR
O trabalho sedimentado por Adams/O’Neil/Giordano ganharia um reforço de muita qualidade 26 anos depois, quando o personagem chegou nas mãos de outro gênio dos quadrinhos, o fantástico Frank Miller. Ele desenvolveu uma minissérie densa e que marcou época: Batman, O Cavaleiro das Trevas (isso mesmo, o mesmo nome do filme que estreou sexta-feira). O sucesso foi tamanho que Miller retornaria ao personagem em 1987 para recontar sua origem em Batman: Ano Um, excelente arco de histórias desenhado primorosamente por David Mazzucchelli, que mostra o início da amizade (e cumplicidade) entre o morcego e Jim Gordon*.

Com esses elementos já sedimentados desde os anos 70, Nolan tem nas mãos material suficiente para realizar um trabalho absolutamente criativo no cinema e vários filmes. Não há o que inventar. Já está tudo lá, nos quadrinhos. É quase como um storyboard. Basta ter respeito com à obra.
Poster horizontal - CLIQUE PARA AMPLIAR
* O leitor atento irá perceber que, tanto em Batman Begins quanto no novo filme, Gordon – que é interpretado pelo excelente Gary Oldman – parece ter saído das páginas de Batman: Ano Um, tamanha a semelhança entre a concepção do policial de Mazzucchelli e o ator que o caracteriza.

para fazer o download de papéis de parede do Batman e do Coringa.
As imagens que ilustram este texto são posteres e uma cena do filme.
(Continua na próxima bat-postagem)