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7 motivos incríveis para você apoiar o projeto O Judoka, por FHAF no Catarse

A obra genial de Floriano Hermeto será relançada num livro de luxo repleto de extras

No próximo ano será comemorado meio século de criação de um dos mais bem-sucedidos personagens dos quadrinhos brasileiros: O Judoka. Lançado pela saudosa Editora Brasil-América, carinhosamente chamada de Ebal, ele estreou em outubro de 1969, no número 7 da revista de mesmo nome, que era ocupada por Judô-Master, um personagem obscuro da editora americana Charlton Comics.

O Judoka #14O Judoka, que foi lançado com o slogan “um herói brasileiro”, conseguiu alguns feitos muito relevantes para um personagem nacional, entre eles, o de ser publicado mensalmente e sem interrupções, até julho de 1973, chegando perto de completar quatro anos de aventuras desenhadas por diversos quadrinistas.

Mas, O Judoka não fez sucesso apenas entre seus leitores. Graças a um desenhista e roteirista em especial, o personagem começou a fazer sucesso também entre a crítica especializada. Foi quando Floriano Hermeto de Almeida Filho, que assinava como FHAF, publicou sua primeira aventura com o herói brasileiro.

A partir da edição de número 14, O Judoka alcançou um patamar jamais imaginado pela Ebal e chamou a atenção de estudiosos renomados dos quadrinhos como Álvaro de Moya e Moacy Cirne. O primeiro levou os desenhos de Floriano para uma exposição internacional de quadrinhos no badalado Congresso de Lucca, na Itália.

Já Cirne elegeu a primeira história escrita e desenhada por FHAF – A Caçada – como a Melhor História do Ano em seu artigo na prestigiada Revista de Cultura Vozes, deixando para trás nomes como Mauricio de Sousa e Esteban Maroto.

O fato é que Floriano Hermeto deu maior consistência aos roteiros do Judoka e fez uma brilhante releitura da estrutura visual de suas histórias. Com o seu traço arrojado e inovador que lembra o estilo moderno de desenhistas internacionais como Jim Steranko, Guido Crepax e Enric Sió, Floriano imprimiu ao personagem agilidade cinematográfica e enquadramentos inusitados dignos dos grandes mestres do desenho.

Porém, a arte de Floriano estava perdida desde os anos 70, pois as revistas do Judoka são muito raras e ele nunca mais desenhou outras histórias em quadrinhos além das cinco que fez para a Ebal. A boa notícia é que sua obra completa está sendo reeditada no livro O Judoka, por FHAF, que está em campanha no site de financiamento público Catarse. E você pode apoiar esse projeto e garantir seu exemplar clicando neste link:
https://www.catarse.me/judokaporfhaf

Visite também a página de O Judoka, por FHAF no Facebook.

Mas, por que é tão importante resgatar a obra de Floriano Hermeto no Judoka? São, pelo menos, sete motivos para você apoiar o lançamento desse livro no Catarse:

1 – É o melhor desenhista e roteirista do Judoka! Sem desmerecer o trabalho dos outros ótimos desenhistas que passaram pelo personagem, FHAF realizou um trabalho inigualável na época;

2 – FHAF insere o personagem em tramas internacionais, com vilões que poderiam estar em filmes de 007, e dá ao personagem uma arqui-inimiga à altura: Irma la Douce;

3 – “A Caçada“, primeira aventura de O Judoka, por FHAF, ganhou relevância como a melhor história publicada em 1970, e os enquadramentos criados pelo desenhista nessa aventura são citados até hoje em livros acadêmicos sobre quadrinhos;

4 – Resgatar a obra de FHAF é manter a memória do quadrinho brasileiro. Não podemos deixar para trás a arte de nossos grandes mestres do desenho;

5 – O livro O Judoka, por FHAF terá 180 páginas e trará extras históricos, incluindo 15 páginas inéditas desenhadas por FHAF com três histórias inacabadas: uma do Judoka, outra do Zorro (The Lone Ranger) e mais outra com uma aventura no cangaço;

6 – Todas os desenhos que Floriano fez para O Judoka estão perdidos! Para este livro, sua arte está sendo recuperada através de um delicado trabalho de restauração, que ele mesmo está supervisonando, a partir das 145 páginas impressas com sua obra magistral;

7 – É uma tiragem pequena de apenas 500 exemplares, com acabamento luxuoso. Poucas pessoas terão o privilégio de ter essa obra em sua estante! Você pode ser uma delas!

Além desses motivos, quem fizer já sua reserva dessa obra fundamental no Catarse, poderá escolher entre diversas recompensas disponíveis. Portanto, vá agora mesmo à página do projeto O JUDOKA, POR FHAF e dê o seu apoio para esse resgate histórico! Divulgue o site, fale com seus amigos e curta a página do projeto no Facebook!

 

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Fantomas, da Editorial Novaro

Foi uma grande surpresa quando entrei numa comic-shop em Miami, a A & M Comics & Books e encontrei dezenas de revistas do Fantomas, personagem que fez muito sucesso nas décadas de 1960 e 70 no México. Isso aconteceu em 2010. Cheguei nessa loja por acaso e acabei descobrindo que ela é, segundo o dono, a segunda comic-shop mais antiga dos Estados Unidos. É muito pequena, escura e repleta de revistas, livros, estátuas, brinquedos, jogos e muita coisa que todo fã de quadrinhos adora encontrar. São coisas penduradas por todos os lados, empilhadas, uma bagunça organizada que deixa para os clientes dois estreitos corredores nos quais os clientes se apertam para garimpar preciosidades. Me senti no meio de um armazém de secos & molhados, mas só com coisas ligadas a quadrinhos, rpg, cinema, animação, tv.

E foi olhando rapidamente esse monte de novidades que encontrei uma caixa com várias revistas da década de 1970 da Editorial Novaro, uma antiga e respeitada editora mexicana especializada em publicar revistas em quadrinhos – a maioria delas traduzidas dos Estados Unidos – e livros infantis. Esse editora teve a mesma importância que a nossa Ebal teve para os leitores do Brasil. Aproveitei para comprar várias revistas, entre elas, estas duas edições de Fantomas: o número 132, de 5 de setembro de 1973, com a história O Grande Festival de Rock em Luxemburgo (capa reproduzida acima), e o número 152, de 22 de janeiro de 1974, que coloca Fantomas numa aventura com sereias em O Aquário Fantástico (ao lado). Curiosamente, esse personagem também foi publicado no Brasil pela Ebal numa revista mensal.

Você estranhou que essas revistas do Fantomas têm dia de lançamento, e não só o mês? E que, se você calculou, em pouco mais de quatro meses foram lançadas 20 edições? Pois é, o personagem, cujas aventuras eram totalmente produzidas no México, era tão popular que sua revista saia semanalmente. Num próximo texto explico melhor essa história.

Como curiosidade, veja que na página abaixo, que mostra o início da aventura do O Grande Festival de Rock em Luxemburgo (que é inédita no Brasil), Fantomas cita o revolucionário artista Andy Warholl logo no primeiro balão, fazendo uma referência aos filmes undergrounds dirigidos e produzidos pelo papa do pop.

A aventura O Aquário Fantástico apresentada na edição de 1974 também é inédita no Brasil e foi desenhada pelo extraordinário desenhista peruano Gonzalo Mayo, que deu ao personagem o seu estilo onírico. Veja abaixo, três páginas (uma dupla e uma simples) de sua autoria para essa misteriosa aventura de Fantomas. Incompreensivelmente, Mayo teve poucos trabalhos lançados no Brasil, mas leitores antigos da conceituada revista Kripta já conhecem a beleza de seus traços. É que essa revista de terror, editada entre 1976 e 1981 pela RGE (atual Editora Globo), publicou algumas histórias de terror desenhadas pelo artista.


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Uma raridade: a vida de Pelé em quadrinhos

Vavá acabava de empatar a partida na decisão da Copa do Mundo de Futebol de 1958, na Suécia. O Brasil jogava contra os donos da casa. Nesse momento, Nilton Santos se adiantou e passou a bola para Pelé!…

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Esta é a penúltima página da história em quadrinhos Pelé, La Perla Negra, que foi publicada na revista Estrellas Del Deporte, da Editorial Novaro, antiga editora do México, famosa por publicar quadrinhos, entre eles, Fantomas. A revista foi lançada em agosto de 1970 para comemorar o tricampeonato de futebol conquistado pelo Brasil no Estádio Azteca, na capital mexicana. Quer saber mais sobre essa história? Então clique aqui (ou no nome da história)! Aproveite para ver algumas cenas com jogadas brilhantes de Pelé na Copa de 1958 no YouTube.

Para ampliar a página que ilustra este texto, clique nela.

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Cortez no cinema

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Capa do livro Film Posters Horror (acima), com uma seleção gráfica dos melhores cartazes de cinema do mundo. Ao lado, cartaz do clássico de horror, Maldição de Sangue de Pantera (The Curse of the Cat People), desenhado por Jayme Cortez.

Cartaz de cinema do relançamento de Maldição do Sangue de Pantera, pela Polifilmes. Criação Álvaro de Moya e desenho de Jayme Cortez.

Jayme Cortez não era apenas um genial desenhista de histórias em quadrinhos. Ele usou seu talento para militar em diversas áreas das artes gráficas, como a publicidade, capas e ilustrações de livros, animação e tinha uma paixão especial pelo cinema. Além de atuar (isso mesmo! nosso desenhista participou como ator em filmes do Zé do Caixão!), ele foi um grande designer de cartazes da sétima arte. Entre tantos trabalhos realizados, um de seus melhores é destaque no livro Film Posters Horror, da Evergreen/Taschen Gmbh, lançado em 2006 (ao lado), que faz um levantamento dos melhores cartazes de cinema do mundo. Há obras de artistas de várias nacionalidades, entre ingleses, italianos, japoneses, alemães, americanos etc. Do Brasil, o único trabalho citado é este desenhado pelo mestre Cortez. Trata-se do clássico do produtor Val Lewton, The Curse of the Cat People, realizado pela RKO, com Simone Simon e Kent Smith.

No Brasil, a produção ganhou o nome de Maldição de Sangue de Pantera. Lançado em 1944 nos Estados Unidos, ele foi relançado pela Cinematográfica Polifilmes nos anos 60 e o poster (que vemos no alto) foi criado no Brasil por nada mais, na menos que a dupla de amigos Álvaro de Moya e Jayme Cortez. Aconteceu o seguinte: Moya era associado da distribuidora e recomendou o capista da revista Terror Negro, da Editora La Selva, para fazer o novo cartaz. E assim foi feito. Moya criou o layout e o texto e Jayme Cortez realizou a belíssima arte final, que foi destaque de página inteira no livro.

A dupla também produziu outro cartaz de um clássico relançado pela Polifilmes: trata-se de Ilha dos Mortos (Isle of the Dead), de Mark Robson, com o pst-ilhadosmortos-cortez-nteterno Frankenstein, Boris Karloff, além de Ellen Drew e Alan Napier (o ator que fez o mordomo Alfred na espalhafatosa série de TV Batman, dos anos 60).

Como curiosidade, Maldição de Sangue de Pantera foi iniciado pelo excelente diretor Gunther V. Fritsch, que foi considerado pela RKO um realizador muito lento para finalizar uma produção classe B e ele foi substituido pelo montador de Cidadão Kane, Robert Wise, que mais tarde dirigiria outros grandes filmes, como West Side Story, Noviça Rebelde e… Jornada na Estrelas – O Filme.

Mais uma coisa: o livro Film Posters Horror traz, no final, um índice dos filmes e outro com todos os artistas, designers e fotógrafos que criaram os cartazes dos filmes de horror citados. Mas, infelizmente, não adianta procurar o nome de Jayme Cortez. É que os editores da publicação escreveram o nome do desenhista errado! Lá, eles grafaram como arte de Payne Gomez. Uma pena. Desculpe o trocadilho, mas esse foi um erro nada cortês…
Por Francisco Ucha (com Álvaro de Moya)

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A Mafalda de Henfil


Mafalda, a garotinha que contestava, criada por Quino em 1964 na Argentina, sempre foi uma personagem que me encantou. Principalmente nos duros anos da ditadura militar quando ela podia falar muitas verdades que nós não tínhamos liberdade para dizer. Ela lavou minha alma em muitas ocasiões. Naquela época ler quadrinhos estrangeiros não era tão fácil. As publicações eram escassas e personagens que criticavam o sistema, como Mafalda, ficavam restritas a publicações independentes. Mas em 1982, já com a abertura “lenta e gradual”, a Global Editora passa a lançar nas bancas uma série de livros com as tiras de Mafalda. A tradução do material ficou a cargo de Mouzar Benedito e a edição final do texto ficou por conta de ninguém menos que… Henfil! O letrista não caprichava muito nas letras mas repare nas tiras que reproduzo abaixo que Henfil faz a opção de manter a pontuação da língua espanhola, com exclamações e interrogações também no início das frases, além de deixar algumas expressões em espanhol para não nos deixar esquecer as origens da personagem. Um trabalho muito atencioso.

Coincidentemente, algo mais aproximava Henfil e a Mafalda de Quino, além desse trabalho de edição de texto: foi também em 1964 que os Fradinhos foram publicados pela primeira vez, ainda em forma embrionária, é verdade. Mas eram eles. A mais popular criação do irmão de Betinho ganhou o mundo a partir da revista mineira Alterosa.

Abaixo, sete tiras da Mafalda publicadas nos livros da Global. Curta a personagem criada por Quino com um pouquinho de Henfil!
Mafalda e seu radinho: ela procurava ficar conectada ao mundo ;-)
Mafalda continua muito atual!

Quer saber o que há editado sobre a Mafalda no Brasil? Comece fazendo uma pesquisa em sites de comparações de preços, como o Buscapé (o meu favorito). Ou então visite o site da Martins Fontes ou da Comix e faça a pesquisa por lá mesmo.

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Mônica cinquentona


Há cinquenta e três anos, Mônica deu a primeira coelhada em Cebolinha e conquistou o Brasil.

(Parecido com o que aconteceu em Thimble Theatre, que era uma tira de Segar desde 1919, mas no dia 17 de janeiro de 1929 surgiu um marinheiro figurante que tomou conta do recado. Transformou-se num dos maiores personagens dos Comics: Popeye!)

Na tirinha do Bidu publicada na Folha de S.Paulo, no dia histórico de 3 de março de 1963, Cebolinha trombou com  a personagem Mônica e mudou a história da história em quadrinhos no Brasil (clique na imagem grande do alto para ver essa tira histórica desenhada pelo Mauricio de Sousa).

Até então, embora sempre tivessem apoiado personagens brasileiros sem sucesso nas revistas e jornais, os editores alegavam que os leitores só aceitavam heróis estrangeiros. Mas a Folha deu apoio a um repórter policial do diário que sonhava fazer quadrinhos. E assim, apareceu em 1959, uma tirinha com o cachorrinho Bidu e seu dono, Franjinha.

Mauricio de Sousa sabia que um só verão não faz andorinha (ou uma só andorinha não faz verão?) e tratou de negociar com o jornal para ceder os caríssimos clichês de suas tiras, e viajou para as cercanias da região fornecendo tiras já em português e clichês em metal, aos jornais locais. Era um material que não necessitava de tradução, tampouco de refazer as letrinhas: já vinha pronto do forno.

monicafotontDesde sempre as suas criações eram baseadas na sua infância. O cachorrinho, o amigo que falava errado, o que não tomava banho e outros. Quando se tornou pai, precisava de mais dinheiro e criou Mônica à imagem e semelhança de sua filha. Inclusive com o coelhinho azul inseparável.

Então, tudo mudou no mundo dos quadrinhos brasileiros. Victor Civita, em 1970, acreditou e investiu num título, Mônica e sua Turma. A revista da Abril foi quase toda escrita e desenhada por Maurício, num esforço incomum. Existem reedições da sua atual Editora Panini que atestam a qualidade inicial do feito. Belo texto e traços originais e mais pessoais que os americanos.

Tanto que logo ganhou o prêmio máximo do Salão de Lucca então no auge do prestígio, o Yellow Kid e o Gran Guinigi, escolhido por um júri internacional.

A então poderosa empresa Cica divulgava o trabalho de Mauricio em desenhos animados na mídia, ao escolher o personagem Jotalhão para interpretar o elefante-símbolo do famoso molho de tomate. Isso colocou a Mônica e o Mauricio como um grande sucesso popular da televisão. Ele já tinha uma pequena infraestrutura, que criou baseada na distribuição dos comics norte-americanos do King, United, NEA e na produção dos estúdios do líder de todos: Walt Disney.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O Brasil até teve alguns personagens nacionais de sucesso. Mas, hoje não há uma criança – ou adulto – que não conheça a dentucinha querida de todos. E ela cresceu e passou a viver novas aventuras na revista Turma da Mônica Jovem e até casou (no futuro?), com Cebolinha, seguindo o caminho do clássico Príncipe Valente que cresceu e teve filhos, na saga de Hal Foster.

Certa feita, Jayme Cortez, Mauricio e eu, estávamos no estúdio do maior criador dos comics no mundo, em Nova York. O nosso ídolo, o “Orson Welles dos quadrinhos”, Will Eisner. E o grande artista e empresário de sucesso declarou que Mauricio tinha sido mais esperto que ele: criara um “character” possível de virar boneca, animação, merchandising, etc. E seu “pobre” The Spirit era complicado demais para explorar o licenciamento.

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Wolinski, a liberdade do humor


Não é de hoje que a censura persegue revistas que criticam o poder.  Na mesma França do ataque terrorista à Charlie Hebdo, há pouco mais de um ano, a revista La Caricature, do desenhista Charles Phillipon, foi apreendida em 1834 por ter publicado, também na capa, o rei com cabeça de pêra. Desde o Egito antigo, se faziam críticas de costume em papiros. Em Roma um desenhista fez uma caricatura dum cantor de ópera e a charge política teve seu apogeu na França. Depois, vieram os quadrinhos.

Sem fazer diferença nessa história, os assassinos de Paris, que invadiram o jornal satírico Charlie Hebdo em 7 de janeiro de 2015, ofendidos por uma caricatura de Maomé (a revista sempre criticou os ‘papas’), chamaram pelos nomes os ilustradores da revista, e os executaram. Eram Georges Wolinski, Cabu, Tignous, Honoré, Charb, que era também o editor.

Wolisnky,  o mais conhecido internacionalmente, esteve na Amazônia para ser jurado do festival local. Eu o conheci nos tempos dos Salões Internacionais de Quadrinhos de Lucca, nos anos 70, na Itália, e em Paris. No Brasil, seus quadrinhos provocantes foram publicados na revista Status e Penthouse.

Nasceu na Tunísia em 1934, de pai polonês e mãe italiana que imigraram para a França em 1952. Tinha jeito para desenho mas estudou só para não ser deportado. Em 1960 começou a carreira na revista Hara Kiri onde criou a série Eles Só Pensam Naquilo e se solidificou como erótomano. Criou também as séries Hit Parades e Não Quero Morrer Um Idiota, incursionando pelos quadrinhos. Colaborou com o jornal satírico L’Enragé e participou das manifestações de maio de 1968 na capital francesa. Aqui arrasava com o “establishment”.

Em 1970, foi um dos fundadores e primeiro editor de Charlie. Em 1977, virou chargista político do jornal comunista L’Humanité. Simultaneamente, colaborou no Libération e Paris Match. Também escreveu esquetes para TV, produziu teatro e, esporadicamente, bandes dessinées para l´Echo des Savanes e no seu derradeiro Charlie Hebdo.

Na história da humanidade, ativistas sempre foram alvo da ignorância e do atraso, sejam jornalistas, cartunistas, quadrinistas, ilustradores, artistas e sonhadores por um mundo melhor e mais engraçado.

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CLIQUE NAS IMAGENS ABAIXO PARA VÊ-LAS EM TAMANHO MAIOR
 

 

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Um sexteto fantástico, eles são verdadeiros ícones da Marvel


Parece incrível, mas em 2011, o ano em que o Quarteto Fantástico (Fantastic Four) comemorou seus 50 anos de criação não aconteceu nenhuma grande comemoração ou homenagem. E olha que a revista desses personagens antológicos, lançada com data de capa de novembro de 1961 (ao lado), marcou o início da gloriosa “Era Marvel”, quando seus criadores, o editor Stan Lee e o desenhista Jack Jirby introduziram problemas existenciais no gênero super-heróis. Ambos escreviam as histórias do Quarteto Fantástico, que foi o primeiro grupo de heróis criado para a Marvel e se tornou um divisor de águas nos comics americanos.

Os personagens Reed, Ben, Sue e Johnny ganham poderes extraordinários quando são expostos a misteriosos raios cósmicos durante uma viagem espacial. Ao voltarem à Terra, demoram a se acostumar com seus poderes (principalmente o monstruoso “Coisa“) e enfrentam problemas de despejo, reclamações de vizinhos e diversas dificuldades comuns ao dia-a-dia das pessoas, enquanto têm que enfrentar perigosos vilões! Nem “uniformes” eles vestiam nas duas primeiras edições da revista. Algo totalmente novo e criativo para a época.


Mas, Jack Kirby e Stan Lee voltaram a revolucionar as histórias do grupo cinco anos depois, em 1966, quando seus leitores seriam apresentados a Galactus, o Devorador de Mundos (acima), e seu arauto o Surfista Prateado, este uma criação exclusiva de Kirby. Foram três histórias, conhecidas como a Trilogia de Galactus, onde o Quarteto Fantástico tem que salvar o planeta desse ser gigantesco e extremamente poderoso. Nesse meio tempo, o Surfista Prateado passa de vilão a herói, ao se voltar contra Galactus, o Devorador de Mundos, que ele servia.

Ou seja: 2016 chegou, passou e também não houve nenhuma comemoração para os 50 anos de criação destes dois personagens ícones da Marvel: o Surfista Prateado e Galactus, o Devorador de Mundos!

Como sempre acontecia, o Brasil só conheceu esses personagens muito tempo depois. O Quarteto Fantástico só foi lançado por aqui em janeiro de 1970, na revista mensal Estréia!, da Ebal. A trilogia que apresentou Galactus e o Surfista Prateado aos leitores brasileiros chegou também com muito atraso e só foi publicada em 1974, na revista do Homem Aranha (a revista com o Quarteto já havia sido cancelada e as aventuras dos quatro heróis passaram a sair na revista mensal do Cabeça de Teia).

Esse atraso causou um fato inusitado: Galactus apareceu primeiro numa história do Thor publicada em sua revista mensal Álbum Gigante lançada em maio de 1970 pela Ebal. Os leitores das revistas da Ebal conheceram primeiro Galactus e só quatro anos depois tiveram contato com o Surfista (embora ele tenha sido publicado em algumas edições da GEP-Gráfica Editora Penteado, entre 1969 e 1970).

Ao lado, a primeira aparição do Surfista Prateado. No quadro abaixo, podemos ver que a decisão de romper com Galactus para preservar a vida na Terra fez do Surfista Prateado um prisioneiro na Terra e, embora ele não tenha se arrependido, o deixou angustiado.

As imagens em preto e branco foram digitalizadas a partir das histórias que compõe a Trilogia de Galactus publicadas nas revistas da Ebal. Todas as imagens que ilustram este texto podem ser ampliadas em ótima resolução.

Para baixar dois wallpapers exclusivos do Surfista Prateado desenhado pelo genial Moebius (Jean Giraud), CLIQUE AQUI!

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O Flash Gordon de Buster Crabe


Buster Crabe e Jean Rogers (acima) são os astros do seriado de ficção-científica Flash Gordon, lançado em 1936. Dividido em 13 partes, esta foi a primeira produção cinematográfica a retratar o personagem de quadrinhos criado por Alex Raymond e publicado pela primeira vez em em janeiro de 1934. Crabe encarna o herói interplanetário, enquanto Rogers dá vida à sua namorada, Dale Arden. Nesta aventura, Flash Gordon chega ao Planeta Mongo, que é dominado pelo maligno Imperador Ming, interpretado por Charles B. Middleton (abaixo). Priscilla Lawson , como a Princess Aura, e Frank Shannon, como o Dr. Alexis Zarkov, são outros atores do elenco.

Antonino, homem bom

Arte original da página 25 da revista Capitão Mistério #8, com todas as manchas, marcação de lápis feita sobre o papel couchê padrão fornecido pela Bloch. Drácula em A Viagem do Demônio, de 1983. Narra o improvável encontro entre Drácula e um lutador igual ao Bruce Lee.

Não sei exatamente o dia em que Antonino Homobono Balieiro apareceu em meu estúdio para apresentar o seu portfólio. Eu e minha mulher prestávamos atendimento para diversas empresas na área de design gráfico e conteúdo jornalístico. Sorrindo, com aquele seu jeitão despretensioso, uma cabeleira que chamava atenção, Antonino se mostrou um artista admirável, talentoso e humilde. Naquela típica tarde carioca, no início da década de 80, percebi que estava diante de uma grande personalidade, de um dos maiores desenhistas deste país e com quem tive o prazer de trabalhar.

Tive a honra de vê-lo em ação, em meio a pincéis e tintas. É… naquela época desenhistas usavam pincéis, tintas, bicos-de-pena, canetas nanquim, papel schoeller. Várias vezes o vi pintando, ao mesmo tempo, cinco, dez desenhos para entregar num prazo sempre muito curto (como já contei aqui). Homobono tinha um talento excepcional. Como me disse certa vez o desenhista e jornalista Ota (criador de diversos personagens, entre eles Dom Ináfio e ex-eterno editor da revista Mad), “ele era pau para toda obra”.

Antonino era especialista em resolver rapidamente problemas nas mais diversas áreas da ilustração: desde os quadrinhos às peças publicitárias. Ota sabia disso e como editor de quadrinhos da antiga Editora Vecchi (ele lançou diversas revistas totalmente desenhadas no Brasil) precisou da arte de Antonino, ou de Homobono, ou ainda de Balieiro (sim…Antonino assinava seus desenhos com um de seus três nomes), em várias publicações, tais como as excelentes revistas de terror Spektro e Sobrenatural, e as de faroeste Chet e Chacal.

Segundo o Ota, Antonino era uma espécie de curinga, graças à sua alta produtividade e rapidez em desenhar histórias em quadrinhos com qualidade. “Se precisava de alguma história de emergência era só dar pra ele que ele fazia rápido”, lembra. Muitas vezes Antonino tinha que cobrir os furos de outros desenhistas que não entregavam as páginas no prazo.

Um mestre na arte de desenhar, Homobono também desenhou histórias do Fantasma e do Sítio do Picapau Amarelo, da RGE (atual Editora Globo), e fez uma ótima série de Drácula na revista Capitão Mistério da Editora Bloch. Aliás, esse título foi um dos pouquíssimos bons lançamentos, nessa linha, da editora da rua do Russell. As revistas em quadrinhos da Bloch, em sua maioria, tiveram tratamento de quinta categoria.

Antonino tinha uma característica interessante: ao assinar seus desenhos ele escolhia um de seus três nomes. Isso fazia com que muitos leitores pensassem que eram três desenhistas diferentes. Mas Antonino, Homobono e Balieiro eram exatemente a mesma pessoa. Alguém que estava sempre pronto a ajudar os amigos e que não recusava trabalho. Aliás, sua profissão era o que o impulsionava e o inspirava.

Ele se tornou um grande irmão e confidente. Um amigo que deixa muitas saudades.

Antonino morreu de uma grave doença no coração. Poucas pessoas sabem disso. Ele não queria preocupar os amigos e não comentava com ninguém a respeito. Preferia aguentar sozinho. Ele era um verdadeiro herói brasileiro.


As imagens que ilustram este texto foram retiradas de histórias produzidas para a revista Capitão Mistério – Drácula, da Bloch Editores. No topo desta postagem e nesta imagem de cima, o incrível encontro de Drácula contra… Bruce Ling (qualquer semelhança com Bruce Lee é totalmente proposital!) na história A Viagem do Demônio, publicada no número 8 da revista.  A imagem superior, com Drácula, é da página de abertura da história A Semente do Mal, publicada no número 28. Logo abaixo, a moça na cama foi publicada na história Traficantes do Terror, do número 24, e mais abaixo, à direita, a página foi extraída da história A Vingança de Mary, publicada em Capitão Mistério #26.

Para variar um pouco, publico abaixo outra especialidade do mestre: desenhos de histórias de faroeste. Este foi para a capa da revista Chacal #20 – Série Tony Carson, publicada em janeiro de 1982.

El Motorista Fantasma na Vértice

El Motorista Fantasma foi uma revista em quadrinhos espanhola lançada em 15 de agosto de 1974 pela Ediciones Vertice, de Barcelona, sob o selo Mundi-Comics que trazia as aventuras do Motoqueiro Fantasma (Ghost Rider). A revista era quinzenal, se chamava Super Heroes Presenta e, no número 2, volume 2, trouxe as aventuras desse famoso personagem da Marvel que já foi adaptado para as telas do cinema em dois filmes estrelados por Nicolas Cage.

A publicação tinha o mesmo formato da revista Veja (20,5 x 27 cm), com capa em papel couchê (impressa somente de um lado!) e 64 páginas em papel jornal. As histórias em quadrinhos eram em preto e branco e essa edição trazia a aventura intitulada Infierno Sobre Ruedas, de Gary Friedrich, Jim Mooney, John Tartag, Tom Orzechowski e George Roussos (e versão espanhola de C. Rivero). A segunda parte da revista trazia uma história desenhada pelo Gil Kane: El Vale del Gusano.

Em vez de a capa reproduzir o desenho original dos Estados Unidos, a ilustração foi feita na Espanha. Essa era uma prática comum por lá que aumentava o mercado de trabalho e valorizava o desenhista espanhol. Pena que o autor dessa capa não foi creditado. Neste site, as capas da Vértice são creditadas também para o renomado desenhista espanhol Enric Torres-Prat “Enrich”, que se notabilizou desenhando, entre outros personagens, Vampirella. Será que ele foi o autor desta capa?

Já o colecionador e especialista em quadrinhos, Paulo Langer, informa em um grupo no Facebook, que esta capa é do grande artista espanhol, Rafael López Espí, “o mais profícuo dos ilustradores espanhóis, de sua época. Ele praticamente interpretava todos os títulos da Marvel que eram publicados na Espanha. E eram centenas de capas por ano”, define Langer. Para conhecer melhor o artista, visite este site.

Todos os tons eróticos de Valentina

Valentina e Neutron
Para a mulherada que está ouriçada com esses tons de cinza cinematográficos e, pior, tons de cinza em papel, sugiro a descoberta de Valentina, uma das mais eróticas personagens dos quadrinhos, criada por Guido Crepax em 1965. Valentina Rosselli é fotógrafa e surgiu como coadjuvante das aventuras de ficção-científica de Neutron, um desinteressante investigador que tem poderes especiais e é descendente de uma civilização subterrânea vinda de um lugar chamado Komyatan (pois é…). Mas logo a moça se tornou autônoma e tomou o lugar dele na história, tamanha a força de sua presença (ainda bem que Crepax viu o óbvio a tempo!). Ou seja, ela fez o que toda mulher interessante deveria fazer quando está ao lado de um boçal: tirar o cara da jogada!
Valentina: sexo na praia.
Belíssima, Crepax a desenhou inspirado-se na musa do cinema mudo, Louise Brooks, com cabelos negros curtos e olhos azuis. Depois que saiu da sombra de Neutron, as histórias da fotógrafa passaram a ter um forte conteúdo erótico com muitos momentos alucinantes de fetichismo e sadomasoquismo, e mostram uma mulher assumidamente bissexual, descolada e desinibida, sem ser vulgar.
Valentina, publicada na revista Grilo #33
Se existisse, Valentina teria feito 72 anos no dia 25 de dezembro de 2014. Ela nasceu em Milão em 1942. Tudo isso pode ser confirmado no livro Valentina: Biografia de Uma Personagem, lançado pela L&PM. A obra traz as suas primeiras histórias, desde a sua infância até o nascimento de seu filho. São elas: Intrépida Valentina, Intrépida Valentina de Papel, A Curva de Lesmo (que é a história onde conhece Neutron) e O Bebê de Valentina. Uma boa notícia, já que os poucos livros de Valentina lançados no Brasil estavam esgotados.
Valentina
E, só para finalizar, o fato é que, provavelmente, a “escritora” Erika Leonard James jamais leu nada de Crepax, caso contrário, provavelmente não teria o atrevimento de escrever tantos tons de cinza… Para Crepax bastaram o preto e o branco. E muita ousadia gráfica em seus desenhos.

Conheça o site oficial Valentina, de Guido Crepax, aqui.

Valentina em Riflesso. Publicada na revista AlterLinus #5

Valentina em Riflesso

valentina

 

Ken Parker, o homem que veio das montanhas

Quando Sydney Pollack resolveu filmar o clássico faroeste Jeremiah Johnson (Mais Forte que a Vingança, no Brasil), com Robert Redford (veja o trailer no YouTube), a partir de um emocionante roteiro baseado em dois livros – Mountain Man, romance de Vardis Fisher, e Crow Killer, uma história real escrita por Raymond W. Thorp e Robert Bun-ker –, ele jamais poderia imaginar que sua realização inspirasse Giancarlo Berardi e Ivo Milazzo, dois dos maiores artistas italianos, a criar uma história em quadrinhos que se tornaria lendária. Mas foi a partir do conceito deste filme que surgiu Ken Parker, um dos mais cultuados personagens das histórias em quadrinhos italianas. “Rifle Comprido”, como é chamado pelos índios, é o próprio Redford desenhado. Em sua primeira aventura, ele ainda é um caçador que vive nas montanhas e vende peles de animais para sobreviver. E a semelhança com a realização de Pollack termina aí.

Para desenvolver as aventuras de Ken Parker, o roteirista Giancarlo Berardi e o desenhista Ivo Milazzo não trilharam o lugar-comum. Criativos e conscientes de que suas histórias ultrapassam o simples entretenimento, eles jamais iriam buscar o lugar comum em roteiros de faroeste. Na época, início da década de 1970, os dois trabalhavam nas histórias de Tiki, Il Ragazzo Guerrero, com as aventuras de um jovem índio da tribo Carajás, na Amazônia, que denunciavam a violência da região, o abuso das autoridades e o massacre de aldeias indígenas. Como se vê, argumentos pouco usuais, principalmente se considerarmos o período em que elas foram criadas.

Depois que a série de seis episódios de Tiki chegou ao fim, Berardi e Milazzo enfim, puderam se dedicar ao novo personagem. E em 1977 Ken Parker foi lançado na Itália, inicialmente para ter poucas histórias. Mas a nova revista se torna um sucesso, que se mantém por vários anos. Foram 59 edições regulares, além de uma série de 18 edições extras, e alguns álbuns especiais. A novidade é que, além de criarem aventuras absolutamente cinematográficas, Berardi e Milazzo incluem em suas histórias diversas referências culturais, sejam elas vindas do cinema, das artes plásticas, da literatura, além de referências históricas. Assim, os leitores da história em quadrinhos, viam personalidades como Marilyn Monroe (acima), Edgar Alan Poe, John Ford, Davy Crockett, Sherlock Holmes, King Kong (sim, o macaco também) e tantos outros, cruzarem o caminho de Rifle Comprido, um herói improvável, que muitas vezes se vê no olho do furacão, mas que sempre escolhe o lado do mais fraco e justo.

Ken Parker e a greve proletária: Milazzo e Berardi fazem uma homenagem ao famoso quadro O Quarto Estado, de Giuseppe Pellizza, que se tornou símbolo da luta dos trabalhadores, na história Um Hálito de Gelo. Acima, a versão colorida. Abaixo, o quadrinho que aparece na aventura.

No Brasil, a série original de Ken Parker foi lançada pela Editora Vecchi em novembro de 1978 e só terminou de ser publicada em no número 56, de agosto de 1983, ano em que a editora fechou as portas, deixando os leitores brasileiros sem as últimas seis aventuras (na Itália, a série durou 59 edições). Assim, o personagem ficou afastado das bancas brasileiras – exceto por algumas poucas edições esporádicas – até o ano 2000, quando a Mythos Editora passou a publicar uma nova série de Ken Parker, com 18 edições (batizada, na Itália, de Ken Parker Magazine). Além desta iniciativa, a Tendência Editorial e, em seguida, o Clube dos Quadrinhos-Cluq iniciaram o relançamento de toda a série clássica em formato maior e tiragem limitada, incluindo as quatro últimas aventuras que não haviam sido publicadas no Brasil (a editora Best News tentou continuar a série no início dos anos 1990 a partir do ponto que a Vecchi deixou, mas não passou de duas edições). Na verdade, esse relançamento foi uma iniciativa – e um verdadeiro tour de force – do editor Wagner Augusto, do Cluq, que passou a ter os direitos sobre os produtos de Berardi/Milazzo no Brasil.

Agora, novamente o Cluq é responsável pelo lançamento de quatro livros com aventuras inéditas de Ken Parker, publicadas originalmente na segunda metade da década de 1990 na Itália. Cada volume é encadernado com capa dura, tem mais de 180 páginas e é impresso em papel couchê. Os dois primeiros, lançados no final de 2013, são Os Condenados, no qual Ken Parker é prisioneiro numa colônia penal, e Nos Tempos do Pony Express, que relata as aventuras do herói quando adolescente. Neste início de ano chegam As Aventuras de Teddy Parker, que narra o encontro de pai e filho, e Cara de Cobre, emocionante história baseada num caso verídico sobre um índio que teve sua aldeia dizimada.

Wagner Augusto está à frente da bem cuidada edição e recebeu elogios da crítica especializada até na Itália, que considerou os quatro livros “belíssimos e elegantes”. Como é uma tiragem bem limitada, os quatro volumes não são encontrados na maioria das livrarias mais conhecidas. Mas, quem se interessar, pode encomendá-los no site comix.com.br ou pedir diretamente ao Cluq: Caixa Postal 61105, São Paulo, SP (cluq@terra.com.br).


Os novos livros de Ken Parker têm tratamento refinado: acima, uma página de As Aventuras de Teddy Parker; abaixo, uma página de Cara de Cobre.

O faroeste caboclo de Antonino

Antonino Homobono Balieiro
Hoje, dia 27 de abril de 2013, o grande desenhista Antonino Homobono Balieiro faria 60 anos. Já publiquei aqui e aqui diversos textos homenageando esta grande figura humana. Para comemorar esta data, desta vez falarei um pouco de seu talento para desenhar capas de livros de bolso e histórias em quadrinhos de faroeste e cowboys.
Rota do Oeste #1
Certa vez, quando o visitei, ele estava em seu estúdio pintando ao mesmo tempo umas doze ou quinze capas para uns livrinhos de bolso. Eram histórias do faroeste que seriam lançadas em bancas de revista. A cena era inacreditável! Antonino fazia um incrível trabalho em série: primeiro pintava uma determinada cor em todos os desenhos. Depois passava para outra cor, e assim sucessivamente. Os desenhos iam ganhando cores e formas a partir do traço a lápis numa produção contínua. A tinta usada era guache, solúvel em água. Assim, os desenhos que ainda estavam úmidos de tinta, eram pendurados numa espécie de “varal” em cima de sua prancheta, para que pudessem “secar” enquanto ele avançava na pintura das cores seguintes.
Durango #10
Para se ter uma idéia do resultado final desse trabalho do Antonino, basta ver as três artes de capas acima. Os desenhos que ele pintava naquele dia, eram assim, nesse estilo. Seu cliente era uma obscura editora (se não me engano, a Nova Leitura), que publicava esses populares livrinos de bolso, tipo pulp fiction. O mercado para ilustração e histórias em quadrinhos no Brasil era muito restrito. Então, Antonino usada desses artifícios para sobreviver: produzia rapidamente e em quantidade! Bravo Antonino!
Chacal #23 - Série Tony Carson
Antonino Homobono Balieiro também fez diversos trabalhos para a Vecchi. Ele desenhou as capas de dois importantes personagens de histórias em quadrinhos dessa casa publicadora: Chacal (Tony Carson, acima) e Chet (abaixo), uma versão tupiniquim do Tex.
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Na capa acima, de Chet, se percebe claramente que Antonino faz uma homenagem ao grande Joe Kubert, utilizando referências do trabalho desse desenhista. Abaixo, outra capa realizada para a mesma revista: a edição de número 21.
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Mais abaixo, duas páginas desenhadas pelo mestre Antonino para as muitas aventuras de Chet que ele desenhou: a primeira é a página 55, da história “Dólar falsificado” (que apresenta um romance de Chet). A outra, é a nona página da história “Os Proscritos”. Repare na beleza do traço preto e branco do mestre Antonino. Inesquecível!
Chet -Dólar falsificado.
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