Mônica cinquentona


Há cinquenta e três anos, Mônica deu a primeira coelhada em Cebolinha e conquistou o Brasil.

(Parecido com o que aconteceu em Thimble Theatre, que era uma tira de Segar desde 1919, mas no dia 17 de janeiro de 1929 surgiu um marinheiro figurante que tomou conta do recado. Transformou-se num dos maiores personagens dos Comics: Popeye!)

Na tirinha do Bidu publicada na Folha de S.Paulo, no dia histórico de 3 de março de 1963, Cebolinha trombou com  a personagem Mônica e mudou a história da história em quadrinhos no Brasil (clique na imagem grande do alto para ver essa tira histórica desenhada pelo Mauricio de Sousa).

Até então, embora sempre tivessem apoiado personagens brasileiros sem sucesso nas revistas e jornais, os editores alegavam que os leitores só aceitavam heróis estrangeiros. Mas a Folha deu apoio a um repórter policial do diário que sonhava fazer quadrinhos. E assim, apareceu em 1959, uma tirinha com o cachorrinho Bidu e seu dono, Franjinha.

Mauricio de Sousa sabia que um só verão não faz andorinha (ou uma só andorinha não faz verão?) e tratou de negociar com o jornal para ceder os caríssimos clichês de suas tiras, e viajou para as cercanias da região fornecendo tiras já em português e clichês em metal, aos jornais locais. Era um material que não necessitava de tradução, tampouco de refazer as letrinhas: já vinha pronto do forno.

monicafotontDesde sempre as suas criações eram baseadas na sua infância. O cachorrinho, o amigo que falava errado, o que não tomava banho e outros. Quando se tornou pai, precisava de mais dinheiro e criou Mônica à imagem e semelhança de sua filha. Inclusive com o coelhinho azul inseparável.

Então, tudo mudou no mundo dos quadrinhos brasileiros. Victor Civita, em 1970, acreditou e investiu num título, Mônica e sua Turma. A revista da Abril foi quase toda escrita e desenhada por Maurício, num esforço incomum. Existem reedições da sua atual Editora Panini que atestam a qualidade inicial do feito. Belo texto e traços originais e mais pessoais que os americanos.

Tanto que logo ganhou o prêmio máximo do Salão de Lucca então no auge do prestígio, o Yellow Kid e o Gran Guinigi, escolhido por um júri internacional.

A então poderosa empresa Cica divulgava o trabalho de Mauricio em desenhos animados na mídia, ao escolher o personagem Jotalhão para interpretar o elefante-símbolo do famoso molho de tomate. Isso colocou a Mônica e o Mauricio como um grande sucesso popular da televisão. Ele já tinha uma pequena infraestrutura, que criou baseada na distribuição dos comics norte-americanos do King, United, NEA e na produção dos estúdios do líder de todos: Walt Disney.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O Brasil até teve alguns personagens nacionais de sucesso. Mas, hoje não há uma criança – ou adulto – que não conheça a dentucinha querida de todos. E ela cresceu e passou a viver novas aventuras na revista Turma da Mônica Jovem e até casou (no futuro?), com Cebolinha, seguindo o caminho do clássico Príncipe Valente que cresceu e teve filhos, na saga de Hal Foster.

Certa feita, Jayme Cortez, Mauricio e eu, estávamos no estúdio do maior criador dos comics no mundo, em Nova York. O nosso ídolo, o “Orson Welles dos quadrinhos”, Will Eisner. E o grande artista e empresário de sucesso declarou que Mauricio tinha sido mais esperto que ele: criara um “character” possível de virar boneca, animação, merchandising, etc. E seu “pobre” The Spirit era complicado demais para explorar o licenciamento.

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Quem é Márcio Moura, o repórter?

22-2000 Cidade Aberta #1
Se você acha que Waldomiro Pena (de Plantão de Polícia), Pedro e Bino (de Carga Pesada) são alguns dos primeiros heróis de seriados de tv nacionais produzidos pela Rede Globo, está enganado. Bem antes, no longínquo ano de 1965, estreava no mês de maio na tela da Globo a série nacional 22-2000 – Cidade Aberta, estrelada por Jardel Filho, na pele do intrépido repórter Márcio Moura, e Claudio Cavalcanti, como o jovem Carlinhos, “foca” na Redação e amigo do repórter. Os dois trabalham na editoria de Polícia do jornal O Globo e tentam desvendar casos de crime e mistério para suas reportagens. Isso os coloca frequentemente em perigo. Cada episódio tinha duração de 30 minutos e apresentava uma história completa. Segundo depoimento do ator Claudio Cavalcanti (que pode ser assistido aqui), ele próprio fazia várias cenas de perigo e a série era toda filmada em película, e não em vídeo.
Trinta Moedas
Com o sucesso de 22-2000 – Cidade Aberta, a Rio Gráfica e Editora lançou, em 1966, a adaptação dessa série para os quadrinhos. Era uma revista bimestral impressa em preto e branco e desenhada por Edmundo Rodrigues. As histórias eram as mesmas exibidas na tv. Assim, o primeiro episódio – Trinta Moedas – foi publicado no número 1 da revista, juntamente com O Rapto de Miss Brasil. Nos números seguintes se manteve esse padrão de duas aventuras por edição. A RGE já havia lançado com grande sucesso outro policial: As Aventuras do Anjo, baseado na rádio-novela de mesmo nome.
Rapto de Miss Brasil
Mas a nova revista em quadrinhos da RGE não durou muito tempo. Foram apenas cinco edições publicadas em menos de um ano. Com o fim da série, em 1966, depois de exibidos 30 episódios, a revista foi cancelada também. Assim, as aventuras do repórter Márcio Moura ficaram na lembrança dos telespectadores e dos leitores da revista.

Para saber mais sobre a série da Globo, visite este link.

Abaixo, a capa da última edição, desenhada por Walmir Amaral.
22-2000 Cidade Aberta #5
Curioso em saber o que significa o número 22-2000, que dá nome ao seriado? Este era o número do telefone do jornal O Globo, na época. Era o número real mesmo!
Márcio Moura e o editor de O Globo
22-2000-simca-nt

Quadrinhos’51: uma exposição grandiosa


Você gosta de ver originais de histórias em quadrinhos? Então não perca a Exposição Quadrinhos’51, que foi criada para homenagear os grandes mestres das Histórias em Quadrinhos nacionais das décadas de 40 a 70 e também para lembrar aquela que é considerada a primeira exposição didática internacional de Histórias em Quadrinhos do mundo, organizada em São Paulo em 1951 por Álvaro de Moya, Jayme Cortez, Syllas Roberg, Reinaldo de Oliveira e Miguel Penteado.

Quadrinhos’51 ficará aberta ao público até o dia 26 de maio no Museu Belas Artes de São Paulo (MuBA), onde estarão expostos desenhos originais de alguns dos mais importantes artistas desse período, além de esboços e de publicações raras editadas nessas décadas.

No alto, desenho de uma página de quadrinhos de Eugênio Colonnese para a revista Mirza, A Mulher-Vampiro. Ao lado, Raimundo, o Cangaceiro, de José Lanzellotti.

O público terá uma chance raríssima de ver de perto a técnica e o talento de desenhistas que produziram obras inesquecíveis numa época em que as histórias em quadrinhos eram perseguidas violentamente por setores da sociedade que insistiam em desqualificar essa arte com argumentos preconceituosos. Mas, a despeito de toda a intolerância, os quadrinhos se impuseram como uma nova linguagem através da força dessa geração de profissionais.

Os originais estão marcados pelo tempo e alguns têm colagens e instruções para impressão, e dão a exata dimensão de como eram produzidos os quadrinhos naquele tempo, além de mostrar a técnica de cada desenhista.

Dentre os trabalhos selecionados, o público dessa mostra poderá apreciar artes-finais de Jayme Cortez, Gutemberg Monteiro, Álvaro de Moya, Antonino Homobono Balieiro (acima), Primaggio, Rodolfo Zalla, Shimamoto, André Le Blanc, Eugênio Colonnese, José Lanzelotti, Izomar, Rubens Cordeiro entre outros gênios do traço. A Exposição Quadrinhos’51 também mostrará originais de desenhistas estrangeiros como E.T. Coelho, Will Eisner, Jerry Robinson, Jim Davis, Mort Walker, Leonard Starr, Serpieri.

Publicações raras de inestimável valor histórico também são exibidas graças ao zêlo de nosso amigo, o colecionador Adriano Rainho, que cedeu gentilmente exemplares de O Pato Donald, n°1; Pererê, n°1, do Ziraldo (acima); Raio Vermelho n° 10 (de 1951), Capitão Radar, Zas Traz número 1 (a revista editada por Jayme Cortez que publicou as primeiras histórias em quadrinhos do Mauricio de Sousa) e muitos outras raridades. Do acervo de Álvaro de Moya o visitante verá também preciosidades como a revista Mad n° 11, de 1954; El Corazón Delator, adaptação de Breccia em formato gigante da obra de Edgar Alan Poe impressa em serigrafia e revistas número 1 da Turma da Mônica editadas na Europa. Há também Raimundo, o Cangaceiro, números 1 e 2, de José Lanzellotti, cedidas por sua filha Jussara; além dois exemplares de O Tico-Tico e O Globo Juvenil, de 1949.

Entre as obras expostas, o visitante irá encontras este desenho para a capa da revista Casper (Gasparzinho), que Gutemberg Monteiro fez nos Estados Unidos, onde trabalhou durante 40 anos. O MuBA fica na Rua Dr. Álvaro Alvim, 76, em Vila Mariana, perto do Metrô. Para saber como chegar, CLIQUE AQUI. Visite também o site Quadrinhos’51, e conheça a programação de debates que acontecem todos os sábados a partir das 14 horas.

O Anjo e o Mistério do Trevo


Para comemorar o dia do Quadrinho Nacional, celebrado no dia 30 de janeiro, homenageamos um grande mestre do traço, o desenhista Flávio Colin em um de seus mais destacados trabalhos: Aventuras do Anjo, revista mensal publicada pela Rio Gráfica e Editora (atual Editora Globo) a partir de 1959. As imagens que ilustram esta postagem foram digitalizadas do número 12 da revista, lançada em abril de 1960. Há quase 50 anos. A história é O Mistério do Trevo e foi desenvolvida a partir do texto de Álvaro Aguiar, radioator que criou a radionovela de mesmo nome para a Rádio Nacional e também interpretava o destemido herói.

O Dia do Quadrinhos Nacional é comemorado em 30 de janeiro porque nesse dia, em 1869, foi publicada a primeira história em quadrinhos no Brasil (e a quinta do mundo). O autor da façanha foi o lendário desenhista Ângelo Agostini e a história se chamava Nhô-Quim, ou Impressões de uma Viagem à Corte. Agostini teve um outro grande mérito: foi o criador da primeira hq de aventuras do mundo! CLIQUE AQUI para saber dessa história.


Em breve publicarei mais imagens e informações sobre Colin. Por enquanto curta a capa da revista Aventuras do Anjo (no topo) e três lindas páginas, todas com a arte do grande mestre.
Para ampliar em alta resolução, clique nas imagens.

Naiara de presente


Este blog ganhou um presente no último dia 21 do leitor Gustavo Machado: ele postou um comentário no texto Vende-se Naiara, de Nico Rosso, onde compatilha com todos os nossos visitantes o seu ótimo trabalho de digitalização da revista Naiara, A Filha de Drácula, número 4, de seu acervo pessoal, cuja a história é A Teia Diabólica.

Publicada pela Editora Taika no final dos anos 60, Naiara foi criada pela tarimbada roteirista Helena Fonseca, que já escrevia as histórias de Drácula para a mesma editora. As duas primeiras edições foram desenhadas por Juarez Odilon, mas o mestre Nico Rosso, que também desenhava as hitórias de Drácula, deu forma definitiva à personagem a partir da terceira edição.

Apesar de ser filha do Príncipe das Trevas, a temível vampira odiava o pai e lutava contra seu domínio. Ao contrário dele, Naiara preferia beber o sangue de suas vítimas numa enorme taça de cristal em um sofisticado ritual erótico (como se pode ver na página abaixo). Aliás, o homem que esnoba a vampira na página publicada acima terá sérios problemas no desenrolar da história…
Digitalizadas em ótima resolução, as 36 páginas da revista podem ser baixadas neste link. A capa da revista, desenhada por Nico Rosso, e três páginas desenhadas pelo mestre e seus fiéis assistentes, João Rosa e Kasuhiko, ilustram este texto e podem ser baixadas em alta resolução. Elas foram tratadas antes de serem postadas aqui.

NESTE LINK, o fã de Naiara e de Nico Rosso poderá baixar também um wallpaper para ser usado em seu desktop feito a partir da capa da revista.

Gustavo já colocou à disposição dos leitores outras revistas digitalizadas. Em breve nós daremos o destaque devido a esses outros escaneamentos.

O primeiro herói aventureiro dos quadrinhos!


Yellow Kid, Little Nemo, Mutt & Jeff, Krazy Kat, Sobrinhos do Capitão, Gato Félix, Pafúncio e muitos outros. Assim eram os personagens das pioneiras histórias em quadrinhos: satíricos, engraçados, críticos. Todos os especialistas concordam, no entanto, que Tarzan e Buck Rogers surgem como os dois primeiros personagens dos quadrinhos que rompem com o humor típico das historietas publicadas até então. Certo? Errado!!! Muito antes desses dois lendários personagens, cujas tiras começaram a ser publicadas, coincidentemente, no dia 7 de janeiro de 1929 nos Estados Unidos, surgiu um personagem que se aventurava pelo interior do Brasil, enfrentando onças, índios, macacos e muitos perigos. Seu nome: Zé Caipora! Isso mesmo, As Aventuras de Zé Caipora começou a ser publicado em 27 de janeiro de 1883! São 46 anos de diferença e pioneirismo!

Criado por Angelo Agostini, nosso herói não usa uniforme e nem tem porte atlético, mas tem coragem, sorte e muita capacidade de se meter em problemas pelas selvas do Brasil do século 19. No detalhe acima, Zé Caipora foi preso por uma tribo e uma personagem aparece para salvá-lo! É a índia Inaiá, que mais tarde será salva pelo destemido Caipora. O índio da imagem em destaque no alto se chama Cham-Kam e também se junta à dupla enfrentando perigos em muitos capítulos que começaram a ser publicados na Revistas Illustrada. Como na seqüência da página abaixo, quando Cham-Kam descobre que Inaiá cai à beira de um precipício e precisa ajudá-la rapidamente. Saiba mais sobre Zé Caipora e veja outras páginas de suas aventuras lendo este texto.
Clique nas imagens que ilustram este texto para ampliá-las em ótima resolução.

O PAI DOS QUADRINHOS NO BRASIL
O criador de As Aventuras de Zé Caipora, Angelo Agostini é considerado o pai das histórias em quadrinhos no Brasil. Jornalista , editor, desenhista, ele foi o o principal artista gráfico de sua época. Nascido na Itália, em Piemonte, no dia 8 de abril de 1843, Agostini passou parte da infância e adolescência em Paris, onde estudou na Escola de Belas-Artes e teve a oportunidade de conhecer o sucesso da imprensa ilustrada francesa em seu auge. Ao chegar ao Rio de Janeiro em 1859, apaixonou-se pelo País e logo decidiu fincar raízes aqui e não retornar à Europa. No ano seguinte mudou-se para São Paulo e logo fundou, com outros jornalistas, o Diabo Coxo, uma pequena publicação com veia humorística que passou a circular semanalmente com apenas oito páginas, sendo que quatro delas traziam ilustrações do artista.

Para conhecer a fascinante história desse italiano ilustre que se tornou brasileiro, a melhor indicação é o livro Angelo Agostini – A Imprensa Ilustrada da Corte à Capital Federal, 1864-1910, de Gilberto Maringoni (Devir, 256 páginas). Também exímio ilustrador e quadrinista, Maringoni foi chargista de O Estado de S. Paulo entre 1989 e 1996, publicou quadrinhos no Brasil e no exterior, entre os quais o elogiado álbum Tocaia, lançado pela Devir em 2009.

Não foi um trabalho simples descobrir quem foi Angelo Agostini. “Eu tinha idéia de escrever uma biografia”, lembra Maringoni. “Mas esbarrei num fato curioso: apesar de ter publicado intensamente durante quase 40 anos, poucos são os registros sobre como era Agostini, seus hábitos, sua vida pessoal etc. Os poucos contemporâneos que a ele se referem o elogiam tanto que o material mais encobre do que revela a personalidade do artista. Assim tive de fazer uma biografia analítica, isto é, mesclar o pouco do que se sabe de sua vida com os registros deixados por ele nas cerca de 3.200 páginas que ilustrou e em outras tantas que escreveu, entre 1864 e 1907”.

Em seu livro Maringoni consegue retratar o artista e sua época de forma empolgante. Um a obra obrigatória para entender os primórdios do jornalismo, da caricatura e dos quadrinhos no Brasil.

Vende-se Naiara, de Nico Rosso

Naiara 6 - Clique para ampliarNaiara 8 - Clique para ampliar
Fuçando no Mercado Livre encontra-se coisas há muito esquecidas. Esta
semana apareceram dois exemplares de Naiara, a Filha de Drácula, do fim
dos anos 60, da Editora Taika, que dominava o mercado de terror na
época. Naiara era desenhada por Nico Rosso e às vezes chegava a ser mais
cruel que o pai. Com a ajuda de uma secretária corcunda e seu jeitão
sexy seduzia os homens para beber o sangue deles. E tudo altamente
erótico para a época, num tempo que pernas de fora e um decote um pouco
mais ousado eram o máximo de atrevimento até onde uma revista podia ir.

Para ver o leilão da revista Naiara, a Filha de Drácula, número 6, de 1968, clique aqui. E, para ver o leilão da número 8, também de 1968, clique aqui.
Para baixar papéis de parede do Drácula, clique aqui. Para baixar as capas das revistas acima em alta resolução, clique nelas.