Nem sempre eram os melhores do mundo

World's Finest Comics #253
A revista World’s Finest, da DC Comics, foi lançada nos Estados Unidos em 1941 quase como um almanaque de 96 páginas e publicada até janeiro de 1986. A primeira edição saiu com o nome de World’s Best Comics, mas já no número 2 a revista ganhou seu nome definitivo. Ela foi criada para publicar, principalmente, as aventuras dos dois principais personagens da editora: Super-Homem e Batman – e seu parceiro Robin –, inicialmente em histórias separadas. Com a diminuição do número de páginas a partir da edição 71 (de julho de 1954), Batman e Super-Homem passaram a dividir as mesmas aventuras juntos. Várias dessas histórias foram publicadas no Brasil pela revista Invictus, da Ebal.

A partir da década de 70, outros heróis passaram a fazer parte do cardápio da revista, entre eles, Lanterna Verde, Arqueiro Verde, Aquaman, Mulher Maravilha, Doutor Destino, Gavião Negro, Ajax o Marciano. A partir da edição 244, a World’s Finest passou a fazer parte do grupo de revistas da DC chamadas de “Dollar Comic” por causa do aumento do número de páginas, da quantidade de histórias por edição e do aumento de preço também: a revista passou a custar 1 dólar.

Nessa época, algumas edições apresentaram uma novidade: a capa da revista continuava sua ação na quarta capa, como os dois exemplos que ilustram este texto. A capa do alto é da edição 253, de novembro de 1978, que trazia histórias de Batman & Super-Homem; Arqueiro Verde & Canário Negro; o Rastejador (The Creeper, do Steve Ditko); e Capitão Marvel. Já a capa de baixo é da edição 257, de Julho de 1979, que além do Homem-Morgego e do Filho de Kripton, trazia as aventuras do Raio Negro, Arqueiro Verde, Gavião Negro e Capitão Marvel.

As duas capas foram desenhadas por Jim Aparo, mas a maioria das histórias que a revista publicava não eram boas.
World's Finest Comics #257
Essas imagens podem ser baixadas em ótima resolução. Para tanto, basta clicar nelas.

Anúncios

Surge o Super-Homem

Action Comics 1

Após passarem anos tentando vender seu personagem sem sucesso, Joe Shuster e Jerry Siegel conseguem publicar na revista Action Comics, que estava sendo lançada em 1938 pela editora que mais tarde se tornaria a DC Comics.
Superman em Action Comics
Clark Kent
Começa aí a carreira meteórica do Super-Homem, único sobrevivente do planeta Krypton que é enviado à Terra, onde adquire superpoderes. A publicação é um sucesso de vendas, atiça a concorrência e isso acarreta uma tonelada de imitações e mais super-heróis fantasiados, muitos lançados pela própria DC. Super-Homem logo vira uma primorosa série de animação dos Estúdios Max Fleischer, tira diária de jornais e seriados cinematográficos, novela de rádio e o que mais se puder pensar. Isso também estabelece o gênero comic-book, que prolifera no período da II Guerra Mundial e sobrevive até hoje.
Superman
superman-1945

.

O vôo solitário do Superman


Como é difícil fazer o Super-Homem voar, não?! Veja a foto acima, clicada por David James durante as filmagens de Superman – O Retorno, filme cometido por Bryan Singer, quantas pessoas são necessárias para fazer um Homem de Aço alçar vôo: nada menos do que 10 integrantes da equipe de efeitos especiais participam da cena e ajudam Brandon Routh a parecer um pássaro, um avião…

A foto foi divulgada na semana passada pela Academia e será uma das 115 imagens utilizadas na mostra Crew Call 2011: Celebrating the Crafts que acontece a partir de 9 de setembro na Califórnia, claro. Clique nela para ampliá-la e ver mais detalhes da cena.

DC enfrenta a Marvel nos cinemas também

Para enfrentar o avanço cinematográfico da arquiinimiga Marvel, a DC Comics está levando mais alguns de seus personagens para o cinema. Entre os projetos definidos pela Warner, estão Mulher Maravilha (Wonder Woman), Flash, Arqueiro Verde (Green Arrow) e Lanterna Verde (Green Lantern), além de, é claro, novos filmes para Batman e Super-homem (Superman). A DC não tem uma divisão de cinema, como a Marvel, e todas as decisões a respeito de novas produções passam necessariamente pela aprovação da Warner Bros. Pictures (as duas empresas pertencem ao conglomerado Time-Warner). Por isso alguns projetos demoram muito para sair do papel, como é o caso da adaptação para o cinema de Mulher Maravilha, cujo o poster-teaser foi divulgado (imagem abaixo), mas o projeto não deslanchou. O presidente da Warner chegou a afirmar à imprensa que novas produções com mulheres à frente do elenco seriam adiadas, depois do fracasso de filmes estrelados por Nicole kidman (Invasores/The Invasion) e Jodie Foster (Valente/The Brave One). Uma grande bobagem, aliás.

Mas agora parece que a coisa vai deslanchar, depois do sucesso dos filmes da Marvel, como Homem de Ferro, X-Men, Hulk e Quarteto Fantástico. Essa decisão estratégica também deve ter sido estimulada pelo enorme sucesso de Batman – O Cavaleiro das Trevas, produção que já detém a segunda maior bilheteria de todos os tempos nos cinemas dos Estados Unidos e pelos novos projetos da Marvel, que comentei aqui. Essa briga da Marvel e da DC nos cinemas vai ser o máximo para os fãs. Que venham mais e melhores adaptações!

O desenho acima que ilustra este texto foi extraído do excelente livro Mythology – The DC Comics Art of Alex Ross.
> Faça download de outros papéis de parede com desenhos de Alex Ross aqui.

A batalha do século passado

Capa de Super-Homem contra o Homem-Aranha - CLIQUE PARA AMPLIARTodo final de ano a Editora Brasil-América (Ebal) costumava colocar nas bancas seus almanaques anuais com os principais personagens da editora, como Zorro (The Lone Ranger), Tarzan, Batman, Super-Homem, Homem Aranha. Mas no final de 1976, início de 77, as bancas reservaram uma grande surpresa para os leitores de quadrinhos; algo impensável até então: o Almanaque dos Heróis trazia o encontro entre os dois principais personagens das duas maiores editoras de quadrinhos (comics) dos Estados Unidos, a Marvel e a National Periodical, que também era chamada de DC.

Foi uma revolução. Algo que os fãs talvez sonhassem, mas que era improvável acontecer. Como juntar as duas editoras arqui-rivais em um projeto? Impossível! Bom… era impossível até que o grande desenhista Carmine Infantino assumiu a direção da DC Comics. A partir dai, “a realização editorial do ano” – como este lançamento foi definido no texto de apresentação da revista – começou a sair do papel.
Página 56 - Homem-Aranha acerta o Super-Homem - CLIQUE PARA AMPLIARStan Lee e Carmine Infantino - Clique para ampliar
O editorial, publicado na segunda capa, explicava: “Esta é uma das mais espetaculares produções dos quadrinhos de todos os tempos. E tudo levava a crer que não pudesse ser feita. (…) O único e grande obstáculo residia na natural rivalidade das editoras – Marvel e National – que produzem as aventuras dos O Super dá um soquinho no cabeça de teia - CLIQUE AQUI PARA AMPLIARdois mais populares super-heróis. Mas seus chefões, Carmine Infantino, tutor do Homem de Aço, e Stan Lee, pai do Homem Aranha, amigos de longa data, facilitaram tudo.” Os dois “deram uma verdadeira lição de co-existência”. Mais adiante o texto cita uma frase de Stan Lee que resume o trabalho: “Nada é difícil demais quando a gente quer mesmo realizar”.

A publicação foi um trabalho em conjunto, uma soma de esforços dos profissionais das duas editoras. O desenho foi feito por Ross Andru, na época desenhista do Homem-Aranha e a arte-final foi de Dick Giordano, que finalizava as aventuras do Batman. Aliás, em se tratando de desenho, sempre achei a fase do Andru uma das piores do cabeça de teia. A história foi escrita por Gerry Conway. Carmine Infantino fez a criação da capa, preparando o rafe para que Ross Andru e Giordano finalizassem o trabalho.Super-Homem e Homem-Aranha - CLIQUE PARA AMPLIAR

Essa publicação realmente representou “uma nova abertura editorial”. A partir do sucesso dessa experiência, os “crossovers” passaram a ser cada vez mais freqüentes e personagens de outras editoras também passaram a viver experiências semelhantes. Tudo isso porque dois executivos deram o primeiro passo para uma nova era de aventuras.

No Brasil a revista foi publicada numa edição colorida no formato 26,7 x 34,7 cm, com capa plastificada e 100 páginas. Em janeiro de 1999, a revista americana Wizard publicou um desenho de Alex Ross, que recria com todos os detalhes, esta capa clássica (veja aqui o papel de parede que fiz A capa original - CLIQUE PARA AMPLIAR com esse desenho). Segundo o artista, A Batalha do Século – Super-Homem Contra o Homem-Aranha foi “uma experiência da cultura pop inspiradora para minha juventude”. É… foi uma idéia e tanto.

Para fazer o download de mais wallpapers com a arte de Alex Ross, clique aqui. Todas as imagens que ilustram este texto podem ser baixadas numa boa resolução.