Quem é Márcio Moura, o repórter?

22-2000 Cidade Aberta #1
Se você acha que Waldomiro Pena (de Plantão de Polícia), Pedro e Bino (de Carga Pesada) são alguns dos primeiros heróis de seriados de tv nacionais produzidos pela Rede Globo, está enganado. Bem antes, no longínquo ano de 1965, estreava no mês de maio na tela da Globo a série nacional 22-2000 – Cidade Aberta, estrelada por Jardel Filho, na pele do intrépido repórter Márcio Moura, e Claudio Cavalcanti, como o jovem Carlinhos, “foca” na Redação e amigo do repórter. Os dois trabalham na editoria de Polícia do jornal O Globo e tentam desvendar casos de crime e mistério para suas reportagens. Isso os coloca frequentemente em perigo. Cada episódio tinha duração de 30 minutos e apresentava uma história completa. Segundo depoimento do ator Claudio Cavalcanti (que pode ser assistido aqui), ele próprio fazia várias cenas de perigo e a série era toda filmada em película, e não em vídeo.
Trinta Moedas
Com o sucesso de 22-2000 – Cidade Aberta, a Rio Gráfica e Editora lançou, em 1966, a adaptação dessa série para os quadrinhos. Era uma revista bimestral impressa em preto e branco e desenhada por Edmundo Rodrigues. As histórias eram as mesmas exibidas na tv. Assim, o primeiro episódio – Trinta Moedas – foi publicado no número 1 da revista, juntamente com O Rapto de Miss Brasil. Nos números seguintes se manteve esse padrão de duas aventuras por edição. A RGE já havia lançado com grande sucesso outro policial: As Aventuras do Anjo, baseado na rádio-novela de mesmo nome.
Rapto de Miss Brasil
Mas a nova revista em quadrinhos da RGE não durou muito tempo. Foram apenas cinco edições publicadas em menos de um ano. Com o fim da série, em 1966, depois de exibidos 30 episódios, a revista foi cancelada também. Assim, as aventuras do repórter Márcio Moura ficaram na lembrança dos telespectadores e dos leitores da revista.

Para saber mais sobre a série da Globo, visite este link.

Abaixo, a capa da última edição, desenhada por Walmir Amaral.
22-2000 Cidade Aberta #5
Curioso em saber o que significa o número 22-2000, que dá nome ao seriado? Este era o número do telefone do jornal O Globo, na época. Era o número real mesmo!
Márcio Moura e o editor de O Globo
22-2000-simca-nt

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Charges da Revista da Tevê: bem anos 80


Taí uma coisa que eu queria fazer há muito tempo: publicar no Flickr uma seleção de charges que desenhei para a Revista da Tevê, suplemento dominical do jornal O Globo, que trazia as novidades da televisão nos anos 80. Principalmente da Globo, claro. Mas nenhuma rede era esquecida. E o foco eram os “artistas de novela”. O suplemento ainda existe hoje, mas naquela época era um pouco diferente… não sei… havia um clima de anos 80! :-) Havia também as notinhas que eram ilustradas pelas charges que eu desenhava. Podia ser algo pessoal ou uma confidência do personagem da novela. Desenhei muitos atores, atrizes, personagens. No Flickr publiquei mais de 70 desenhos de atores como Antônio Abujamra (acima) na pele do Mestre Ravengar, misterioso personagem da excelente novela Que Rei Sou Eu?, que fez muito sucesso no horário das 19 horas em 1989 (o desenho foi publicado em 26 de março) e atrizes como Suzana Vieira (ao lado), cuja nota informava que ela havia passado o reveillon de 1988/89 em Mendes.

Entre os astros presentes nessa seleção aparecem nomes como Cécil Thiré, Nélson Xavier, Guarnieri, Consuelo Leandro, Zezé Polessa, Yara Cortes, Tony Ferreira, Tony Ramos, Tânia Alves, Rui Resende, Roberto Bonfim, Roberto Pirillo, Renata Fronzi, Regina Casé, Reginaldo Farias, Raul Cortez, Paulo Autran, Mario Lago, José Lewgoy, Renato Aragão, Paulo Goulart, Osmar Prado, Nuno Leal Maia, Nicette Bruno, Milton Moraes, Mila Moreira, Maurício Mattar, Mário Gomes, Marcos Paulo, Luís Gustavo, Marcos Frota, Lúcio Mauro, Lima Duarte, Luiz Fernando Guimarães, Laerte Morrone, Kadu Moliterno, José Mayer, José de Abreu, Jonas Melo, Jonas Bloch, Isis de Oliveira, Hélio Souto, Glória Menezes, Geórgia Gomide, Fernando Torres, Flávio Galvão, Fernando Eiras, Carlos Kroeber, Carlos Eduardo Dolabella, Carlos Augusto Strazzer, Carlos Alberto Ricelli, Ary Fontoura, Arnaud Rodrigues, Armando Bogus, Antônio Fagundes, Alexandre Frota, Fernanda Montenegro, Felipe Carone, Eloisa Mafalda, Tônia Carrero, Irene Ravache, Eva Wilma, Edwin Luisi, Diogo Vilella, Cláudio Correa e Castro e Cláudio Cavalcanti. CLIQUE AQUI para ver os desenhos e AQUI para ver um slideshow com todas as charges.

Desenhando Paulo Autran

Paulo Autran em julho de 1983, por Ucha. Clique para ampliar.Na década de 80 trabalhei na Revista da Tevê, do jornal O Globo. Aliás, trabalhei neste caderno desde seu lançamento. Fiquei lá durante onze anos, até o dia em que decidi mudar de cidade. Nesse período tive o prazer de fazer desenhos “engraçadinhos”  de grandes atores para ilustrar notinhas leves e pitorescas, daquelas que entremeavam as matérias principais do caderno. Não sei quantas vezes desenhei o Paulo Autran. Certamente foram poucas. Não tenho todos os desenhos aqui para conferir (muitos ficaram no arquivo do jornal; acabei não recolhendo a maioria das artes). Porém, tenho estes dois (para ampliá-los, basta clicar neles). O desenho à esquerda foi publicado no dia 10 de julho de 1983 e ilustrava o seguinte texto:

“Finalmente Paulo Autran está tecendo um tapete que considera bonito: “Será o primeiro de minha carreira de tecelão. Os outros, sinceramente, eram um horror. Pena que só vai ficar pronto daqui a um ano, porque nunca tenho tempo de trabalhar nele…” Paulo, que divide seu tempo entre as gravações e os ensaios da peça Amante Inglesa, recebeu um convite que o deixou muito orgulhoso: “Em setembro, vou dar uma palestra sobre o teatro e sua função cultural para os alunos da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo. Aliás, não é a primeira vez que isto acontece.”Paulo Autran, por Ucha - Setembro de 1983 - Clique para ampliar

Este da direita foi publicado mais de uma vez. A primeira foi no dia 11 de setembro de 1983 e ilustrava um texto sobre as comemorações do aniversário dos 61 anos do grande autor, que ocorrera quatro dias antes. A nota diz que “o Parabéns Pra Você foi comandado por Tonia Carrero, no palco do teatro”. Na época os dois grandes atores atuavam juntos na peça Amante Inglesa, de Marguerite Duras. Paulo interpretava ainda Otávio de Alcântara Rodrigues e Silva , o “Bimbo”, na novela Guerra dos Sexos – grande sucesso da época. Com este personagem, ele protagonizou cenas antológicas da televisão brasileira ao lado de Fernanda Montenegro (clique aqui para ver alguns vídeos do ator no G1).

Paulo nasceu no dia 7 de Setembro e morreu ontem, no dia de Nossa Senhora Aparecida. Dois feriados nacionais. Alma de criança, grande personalidade, um monstro nos palcos. Inesquecível. Já estamos todos com saudades…

Veja alguns links sobre Paulo Autran:
Às portas do século 21, a revista Isto É resolveu fazer uma eleição para escolher o Brasileiro do Século em diversas áreas. Paulo Autran foi o segundo colocado em Artes Cênicas. Fernanda Montenegro foi a escolhida.

Sabatina da Folha com Paulo Autran  (somente para quem é assinante) – O pensamento do ator, num texto dividido em várias páginas. Eis uma de suas declarações:
Teatro é uma idéia transmitida por um ator ao público. São três elementos: público, ator e idéia. Se você suprime um, deixa de ser teatro. Se você suprime o público, então o teatro o que é? Uma masturbação para os atores gozarem, só? Para mim não é.”
– Paulo Autran no IMDb e na Enciclopédia Itaú Cultural.
– Paulo Autran recitando Carlos Drumond de Andrade

Repercussão da morte de Paulo Autran:
– Site do Estadão: Uma vida dedicada ao teatro – Texto com vários links (fotos, vídeos e uma homenagem)
– Portal G1: Teatro ocupou maior parte da carreira de Paulo Autran
– Blog do Lira Neto: Gigante dos Palcos (Texto publicado na revista Contigo!)
– Jornal de Notícias (de Portugal): Morreu Paulo Autran

Um grande ator

Raul Cortez em A Rainha da SucataO desenho ao lado, que fiz do Raul Cortez, foi publicado no dia 8 de julho de 1990 na Revista da Tevê, do jornal O Globo, onde trabalhei por 11 anos. A nota que essa charge ilustrava fazia alusão à participação do ator em um grande sucesso da Globo, a novela Rainha da Sucata. Abaixo reproduzo o texto publicado à época.

Raul nasceu no dia 28 de agosto de 1932 e morreu ontem, dia 18. Publiquei em outro blog que mantenho, uma pequena homenagem ao grande ator. Para ir ao outro blog, clique aqui.

Para ampliar a imagem ao lado, clique aqui.

• Um grande susto aguarda Jonas em Rainha da Sucata: todos os disquetes do computador que usa em suas investigações serão roubados. Mas o responsável por isto, Renato (Daniel Filho) terá uma grande decepção ao tentar desvendar o mistério do mordomo do computador da Do Carmos Veículos. “E o que deixará o telespectador intrigado é a rapidez com que o meu personagem vai recuperar os disquetes, mantendo, assim, o segredo que o vincula aos Figueiroa”, adianta Raul Cortez. O ator já está pensando em ter aulas de computação para dar mais realismo às cenas de Jonas: “Além do tarô e do japonês, acho que vou inserir mais essa atividade na minha agenda.” E brincou: “Só fico imaginando o que não faria o Jofre, meu vilão em A, E, I, O… Urca, se tivesse uma maquininha dessas nos anos 40…”