Um Blog no Planeta Mongo


Ken Parker, o homem que veio das montanhas by Francisco Ucha

Quando Sydney Pollack resolveu filmar o clássico faroeste Jeremiah Johnson (Mais Forte que a Vingança, no Brasil), com Robert Redford (veja o trailer no YouTube), a partir de um emocionante roteiro baseado em dois livros – Mountain Man, romance de Vardis Fisher, e Crow Killer, uma história real escrita por Raymond W. Thorp e Robert Bun-ker –, ele jamais poderia imaginar que sua realização inspirasse Giancarlo Berardi e Ivo Milazzo, dois dos maiores artistas italianos, a criar uma história em quadrinhos que se tornaria lendária. Mas foi a partir do conceito deste filme que surgiu Ken Parker, um dos mais cultuados personagens das histórias em quadrinhos italianas. “Rifle Comprido”, como é chamado pelos índios, é o próprio Redford desenhado. Em sua primeira aventura, ele ainda é um caçador que vive nas montanhas e vende peles de animais para sobreviver. E a semelhança com a realização de Pollack termina aí.

Para desenvolver as aventuras de Ken Parker, o roteirista Giancarlo Berardi e o desenhista Ivo Milazzo não trilharam o lugar-comum. Criativos e conscientes de que suas histórias ultrapassam o simples entretenimento, eles jamais iriam buscar o lugar comum em roteiros de faroeste. Na época, início da década de 1970, os dois trabalhavam nas histórias de Tiki, Il Ragazzo Guerrero, com as aventuras de um jovem índio da tribo Carajás, na Amazônia, que denunciavam a violência da região, o abuso das autoridades e o massacre de aldeias indígenas. Como se vê, argumentos pouco usuais, principalmente se considerarmos o período em que elas foram criadas.

Depois que a série de seis episódios de Tiki chegou ao fim, Berardi e Milazzo enfim, puderam se dedicar ao novo personagem. E em 1977 Ken Parker foi lançado na Itália, inicialmente para ter poucas histórias. Mas a nova revista se torna um sucesso, que se mantém por vários anos. Foram 59 edições regulares, além de uma série de 18 edições extras, e alguns álbuns especiais. A novidade é que, além de criarem aventuras absolutamente cinematográficas, Berardi e Milazzo incluem em suas histórias diversas referências culturais, sejam elas vindas do cinema, das artes plásticas, da literatura, além de referências históricas. Assim, os leitores da história em quadrinhos, viam personalidades como Marilyn Monroe (acima), Edgar Alan Poe, John Ford, Davy Crockett, Sherlock Holmes, King Kong (sim, o macaco também) e tantos outros, cruzarem o caminho de Rifle Comprido, um herói improvável, que muitas vezes se vê no olho do furacão, mas que sempre escolhe o lado do mais fraco e justo.

Ken Parker e a greve proletária: Milazzo e Berardi fazem uma homenagem ao famoso quadro O Quarto Estado, de Giuseppe Pellizza, que se tornou símbolo da luta dos trabalhadores, na história Um Hálito de Gelo. Acima, a versão colorida. Abaixo, o quadrinho que aparece na aventura.

No Brasil, a série original de Ken Parker foi lançada pela Editora Vecchi em novembro de 1978 e só terminou de ser publicada em no número 56, de agosto de 1983, ano em que a editora fechou as portas, deixando os leitores brasileiros sem as últimas seis aventuras (na Itália, a série durou 59 edições). Assim, o personagem ficou afastado das bancas brasileiras – exceto por algumas poucas edições esporádicas – até o ano 2000, quando a Mythos Editora passou a publicar uma nova série de Ken Parker, com 18 edições (batizada, na Itália, de Ken Parker Magazine). Além desta iniciativa, a Tendência Editorial e, em seguida, o Clube dos Quadrinhos-Cluq iniciaram o relançamento de toda a série clássica em formato maior e tiragem limitada, incluindo as quatro últimas aventuras que não haviam sido publicadas no Brasil (a editora Best News tentou continuar a série no início dos anos 1990 a partir do ponto que a Vecchi deixou, mas não passou de duas edições). Na verdade, esse relançamento foi uma iniciativa – e um verdadeiro tour de force – do editor Wagner Augusto, do Cluq, que passou a ter os direitos sobre os produtos de Berardi/Milazzo no Brasil.

Agora, novamente o Cluq é responsável pelo lançamento de quatro livros com aventuras inéditas de Ken Parker, publicadas originalmente na segunda metade da década de 1990 na Itália. Cada volume é encadernado com capa dura, tem mais de 180 páginas e é impresso em papel couchê. Os dois primeiros, lançados no final de 2013, são Os Condenados, no qual Ken Parker é prisioneiro numa colônia penal, e Nos Tempos do Pony Express, que relata as aventuras do herói quando adolescente. Neste início de ano chegam As Aventuras de Teddy Parker, que narra o encontro de pai e filho, e Cara de Cobre, emocionante história baseada num caso verídico sobre um índio que teve sua aldeia dizimada.

Wagner Augusto está à frente da bem cuidada edição e recebeu elogios da crítica especializada até na Itália, que considerou os quatro livros “belíssimos e elegantes”. Como é uma tiragem bem limitada, os quatro volumes não são encontrados na maioria das livrarias mais conhecidas. Mas, quem se interessar, pode encomendá-los no site comix.com.br ou pedir diretamente ao Cluq: Caixa Postal 61105, São Paulo, SP (cluq@terra.com.br).


Os novos livros de Ken Parker têm tratamento refinado: acima, uma página de As Aventuras de Teddy Parker; abaixo, uma página de Cara de Cobre.



O faroeste caboclo de Antonino by Francisco
27|abril|2013, 10:23
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Antonino Homobono Balieiro
Hoje, dia 27 de abril de 2013, o grande desenhista Antonino Homobono Balieiro faria 60 anos. Já publiquei aqui e aqui diversos textos homenageando esta grande figura humana. Para comemorar esta data, desta vez falarei um pouco de seu talento para desenhar capas de livros de bolso e histórias em quadrinhos de faroeste e cowboys.
Rota do Oeste #1
Certa vez, quando o visitei, ele estava em seu estúdio pintando ao mesmo tempo umas doze ou quinze capas para uns livrinhos de bolso. Eram histórias do faroeste que seriam lançados em bancas de revista. A cena era inacreditável! Antonino fazia um incrível trabalho em série: primeiro pintava uma determinada cor em todos os desenhos. Depois passava para outra cor, e assim sucessivamente. Os desenhos iam ganhando cores e formas a partir do traço a lápis numa produção contínua. A tinta usada era guache, solúvel em água. Assim, os desenhos que ainda estavam úmidos de tinta, eram pendurados numa espécie de “varal” em cima de sua prancheta, para que pudessem “secar” enquanto ele avançava na pintura das cores seguintes.
Durango #10
Para se ter uma idéia do resultado final desse trabalho do Antonino, basta ver as três artes de capas acima. Os desenhos que ele pintava naquele dia, eram assim, nesse estilo. Seu cliente era uma obscura editora (se não me engano, a Nova Leitura), que publicava esses populares livrinos de bolso, tipo pulp fiction. O mercado para ilustração e histórias em quadrinhos no Brasil era muito restrito. Então, Antonino usada desses artifícios para sobreviver: produzia rapidamente e em quantidade! Bravo Antonino!
Chacal #23 - Série Tony Carson
Antonino Homobono Balieiro também fez diversos trabalhos para a Vecchi. Ele desenhou as capas de dois importantes personagens de histórias em quadrinhos dessa casa publicadora: Chacal (Tony Carson, acima) e Chet (abaixo), uma versão tupiniquim do Tex.
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Na capa acima, de Chet, se percebe claramente que Antonino faz uma homenagem ao grande Joe Kubert, utilizando referências do trabalho desse desenhista. Abaixo, outra capa realizada para a mesma revista: a edição de número 21.
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Mais abaixo, duas páginas desenhadas pelo mestre Antonino para as muitas aventuras de Chet que ele desenhou: a primeira é a página 55, da história “Dólar falsificado” (que apresenta um romance de Chet). A outra, é a nona página da história “Os Proscritos”. Repare na beleza do traço preto e branco do mestre Antonino. Inesquecível!
Chet -Dólar falsificado.
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A Gênese da Luluzinha by Francisco

Luluzinha - Primeiras Histórias Volume 1
Já pode ser encontrada nas bancas de revistas e nas melhores livrarias do país o álbum de luxo Luluzinha – Primeiras Histórias. Esta publicação é, sem dúvida nenhuma, a mais bem cuidada já lançada no Brasil com a inesquecível personagem criada pela desenhista Marjorie Henderson Buell, ou simplesmente Marge. Lançada pela Ediouro, Luluzinha – Primeiras Histórias é uma belíssima edição com quase 130 páginas impressas em papel couchê e capa com acabamento em verniz UV, no formato 17x24cm. O livro reúne as primeiras aparições de alguns dos principais personagens da turma da Luluzinha. Além do Bolinha (é claro), aparecem Alvinho, Glorinha, Plínio e a famigerada bruxa Alcéia, em histórias publicadas entre 1945 e 1950.
Luluzinha e Bolinha
Nos Estados Unidos, a Dark Horse foi a responsável pelo lançamento dos álbuns com a personagem (veja alguns deles neste link da Amazon). Mas, ao compararmos com a edição brasileira, a versão americana perde feio! Para começar, as histórias publicadas nos primeiros volumes eram em preto e branco (na imagem abaixo, primeira página da primeira história de Little Lulu). Mas mesmo quando a editora começou a publicar as histórias em cores, foram mantidas as retículas de ponto aberto que eram usadas nas revistas impressas em papel jornal dos anos 50. Isso acabou dando uma aparência um pouco grosseira aos álbuns da Dark Horse, que já lançou 29 volumes de Little Lulu e quatro com Tubby (Bolinha).
Litle Lulu, Dark Horse
A única vantagem das publicações da Dark Horse é o número de páginas: cada livro tem em média 200 páginas (na nova série – Giant Size Little Lulu – o número de páginas impressiona: 600, no mínimo). Mas a vantagem pára por aí. A edição brasileira tem um formato maior e é muito bem cuidada. Todos os quadrinhos e cores foram restaurados e o trabalho, que consumiu meses de dedicação, ficou absolutamente primoroso. E o preço é outro destaque: o álbum da Ediouro custa apenas R$16,90! Uma bagatela pela qualidade do que é apresentado.
Luluzinha
Como se não bastasse Luluzinha – Primeiras Histórias vem com um complemento primordial (que a edição americana também não apresenta): vários textos espalhados pelo livro dão informações preciosas sobre a autora, sua criação, os desenhistas e a história de Luluzinha no Brasil. O autor dos textos – Otacílio d’Assunção – é, na verdade, o nome por trás do alto padrão de qualidade desse álbum. Especialista em quadrinhos, grande editor e cartunista, o Ota – como também é conhecido –  fez um esmerado trabalho de pesquisa e restauração dos quadrinhos publicados pela Dell. Esse trabalho especial ele já faz para a Pixel (selo de quadrinhos da Ediouro) desde 2011, nas revistas que essa editora publica mensalmente, entre elas, a revista da Luluzinha, do Bolinha e suas edições especiais.
Luluzinha e Bolinha
Não é a primeira vez que as histórias clássicas da Luluzinha ganham edições especiais no Brasil. Em 2006 a coleção lançada pela Dark Horse nos Estados Unidos ganhou uma versão no Brasil. Lançada pela Devir, o projeto de publicar essas histórias clássicas foi interrompido no sétimo volume da série.
Luluzinha, Bolinha e Alvinho
Agora, a Ediouro promete lançar novos volumes periodicamente. O segundo já estaria até pronto, só aguardando a data de lançamento (provavelmente em junho). Mas é importante destacar que essa nova coleção não repete a fórmula dos livros da Dark Horse. Nestes novos álbuns, as histórias são selecionadas a partir de uma linha editorial específica. No primeiro foram escolhidas as histórias de estréia de alguns personagens, como o Alvinho, na história “A babá do Alvinho” (imagem acima), publicada originalmente na revista Four Color 74, de junho de 1945 (veja a capa dessa revista abaixo). Outro exemplo é o Plínio, o garoto rico da turma, que aparece em duas histórias (ambas sem título): a primeira foi publicada em Little Lulu 16 (de outubro de 1949) e a segunda, em Little Lulu 19 (de janeiro de 1950). Nessas duas histórias, o Plínio ainda é um personagem em evolução, com características não totalmente definidas.
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As outras histórias de Luluzinha – Primeiras Histórias são:
“Luluzinha” e “A babá do Alvinho”, ambas publicadas originalmente na revista Four Color 74, de junho de 1945
• “Os alpinistas”, publicada originalmente em Little Lulu 1, de janeiro-fevereiro de 1948
• “O interesseiro”, publicada originalmente na revista Four Color 158, de agosto de 1947
 “O assalto ao cofrinho”, publicada originalmente em Little Lulu 10, de abril de 1948
Os apuros da Lulu
Nas três aventuras que fecham o volume, Luluzinha é uma contadora de histórias para acalmar o irrequieto Alvinho. “Os apuros da Lulu” foi publicada originalmente na revista Four Color 110, de junho de 1946. Em “A domadora de dragões”, que foi publicada originalmente na revista Little Lulu 25, de julho de 1950, surge uma bruxa bem similar a Alcéia. E a última história da edição – “O Bicho-Papão” – tem uma trajetória curiosa: ela ia ser publicada na revista Little Lulu 26, de agosto de 1950, mas foi vetada pela criadora da personagem. Marge achou que a figura do Bicho-Papão que aparece na história era assustadora demais para as crianças. Assim ela só foi publicada nos Estados Unidos em 1986, quando começaram as republicações da Little Lulu.
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As incríveis aventuras do Cavaleiro Negro by Francisco

Cavaleiro Negro #1 - Setembro de 1952
A revista do Cavaleiro Negro, publicada a partir de setembro de 1952 pela Rio Gráfica e Editora (atual Editora Globo), foi uma das revistas de faroeste mais longevas já impressas no Brasil. Não podemos esquecer que The Lone Ranger (editado no Brasil pela Ebal com o nome de Zorro) e, claro, Tex, ultrapassaram em quantidade de edições o personagem da RGE. Mas, mesmo assim, a façanha do Cavaleiro Negro foi impressionante: sua revista chegou às bancas por mais de 20 anos e alcançou a marca de 245 números!
Cavaleiro Negro
Como as aventuras do Cavaleiro Negro eram curtas, ele dividia as páginas de sua revista com outros personagens do faroeste, como Ringo Kid, Arizona Raines, Apache Kid, Sierra Smith, Davy Crocket, Kit Carson, Daniel Boone, entre outras “histórias formidáveis de índios e de cowboys”.

Black Rider 1
Lançado em 1948, no segundo número da revista All-Western Winners, The Black Rider foi criado por Syd Shores para a Timely Comics (que, mais tarde, viria a se tornar a gigante Marvel Comics) e a partir do número 8 a revista passou a se chamar simplesmente de Black Rider. Enfim o Cavaleiro Negro ganhava seu próprio título nos Estados Unidos. Mas isso não foi o suficiente para transformá-lo num sucesso e a série de aventuras com o personagem foi cancelada no número 31, em novembro de 1955. Ele nunca conquistou os leitores americanos. Mas era um sucesso absoluto no Brasil.
Cavaleiro Negro #240 - Página 3
Com a série cancelada em seu país de origem, a RGE teve que encontrar uma solução para continuar publicando a revista, que vendia muito bem. O mais lógico seria produzir aqui as novas aventuras do herói mascarado, já que a editora contava com desenhistas do mais alto nível em seu departamento de arte.

Mas, por mais inacreditável que pareça, a “solução” dada foi a seguinte: outros personagens de faroeste passaram a ser “retocados e transformados no Cavaleiro Negro pelos desenhistas do staff interno da Rio Gráfica”. Essa revelação consta em texto não assinado – provavelmente de autoria de Otacilio D’Assunção – publicado na revista Gibi de Ouro – Os Clássicos dos Quadrinhos – Cavaleiro Negro, lançada em 1985 pela RGE. E isso quer dizer exatamente o que você, leitor, entendeu: através de retoques nos desenhos originais, o Cavaleiro Negro era colocado no lugar do herói de outras histórias de faroeste!
Cavaleiro Negro #240 - Deus do mal
Mas essa falta de respeito com os quadrinhos, os desenhistas e os leitores, durou algum tempo até que, finalmente, a direção da RGE tomou juízo e as aventuras do personagem passaram a ser produzidas no Brasil. Assim, o Cavaleiro Negro ganhou os traços de mestres como Gutemberg (a capa da edição 106, reproduzida abaixo foi desenhada por ele), Walmir, Milton Sardella, Juarez Odilon, entre outros. Mesmo assim, de vez em quando, aventuras de outros caubóis menos importantes continuavam a ser retocadas e transformadas em histórias do caubói mascarado.
Cavaleiro Negro #106 - Capa de Gutemberg
O grande desenhista Gutemberg Monteiro, que fez sua carreira nos Estados Unidos, desenhou diversas histórias do Cavaleiro Negro, como estas páginas reproduzidas abaixo e que fazem parte da história “Balas Marcadas”, publicada na revista do Cavaleiro Negro #113.
Cavaleiro Negro #113, por Gutemberg
Cavaleiro Negro #113, por Gutemberg - página 17
Cavaleiro Negro - quadrinho na página 18, por Gutember.
Muitos desenhistas de talento também produziram histórias de Black Rider nos Estados Unidos. Curiosamente, Jack Kirby foi um deles. Provavelmente a página e o quadrinho que reproduzimos abaixo são trabalhos de Kirby. Pena que a aventura “A luva negra!” não veio creditada.
Cavaleiro Negro #240 - página 20
Cavaleiro Negro #240 - p24
Finalmente, em 1972, a revista do Cavaleiro Negro também estava prestes a ser cancelada pela RGE por absoluta falta de material. Assim, o então diretor de arte, Primaggio Mantovi, decidiu transformar as histórias de Gringo – um personagem de faroeste produzido na Espanha – em aventuras do Cavaleiro Negro, voltando a usar novamente a execrável solução de retocar o personagem. A culpa obviamente não era dele, já que a direção da RGE não lhe dava condições de produção de novas histórias. Mas essa curiosa história será contada em outra postagem.

Abaixo três reproduções de capas da revista Black Rider, publicadas no início da década de 50 nos Estados Unidos.



Nem sempre eram os melhores do mundo by Francisco

World's Finest Comics #253
A revista World’s Finest, da DC Comics, foi lançada nos Estados Unidos em 1941 quase como um almanaque de 96 páginas e publicada até janeiro de 1986. A primeira edição saiu com o nome de World’s Best Comics, mas já no número 2 a revista ganhou seu nome definitivo. Ela foi criada para publicar, principalmente, as aventuras dos dois principais personagens da editora: Super-Homem e Batman – e seu parceiro Robin –, inicialmente em histórias separadas. Com a diminuição do número de páginas a partir da edição 71 (de julho de 1954), Batman e Super-Homem passaram a dividir as mesmas aventuras juntos. Várias dessas histórias foram publicadas no Brasil pela revista Invictus, da Ebal.

A partir da década de 70, outros heróis passaram a fazer parte do cardápio da revista, entre eles, Lanterna Verde, Arqueiro Verde, Aquaman, Mulher Maravilha, Doutor Destino, Gavião Negro, Ajax o Marciano. A partir da edição 244, a World’s Finest passou a fazer parte do grupo de revistas da DC chamadas de “Dollar Comic” por causa do aumento do número de páginas, da quantidade de histórias por edição e do aumento de preço também: a revista passou a custar 1 dólar.

Nessa época, algumas edições apresentaram uma novidade: a capa da revista continuava sua ação na quarta capa, como os dois exemplos que ilustram este texto. A capa do alto é da edição 253, de novembro de 1978, que trazia histórias de Batman & Super-Homem; Arqueiro Verde & Canário Negro; o Rastejador (The Creeper, do Steve Ditko); e Capitão Marvel. Já a capa de baixo é da edição 257, de Julho de 1979, que além do Homem-Morgego e do Filho de Kripton, trazia as aventuras do Raio Negro, Arqueiro Verde, Gavião Negro e Capitão Marvel.

As duas capas foram desenhadas por Jim Aparo, mas a maioria das histórias que a revista publicava não eram boas.
World's Finest Comics #257
Essas imagens podem ser baixadas em ótima resolução. Para tanto, basta clicar nelas.



Quem é Márcio Moura, o repórter? by Francisco Ucha

22-2000 Cidade Aberta #1
Se você acha que Waldomiro Pena (de Plantão de Polícia), Pedro e Bino (de Carga Pesada) são alguns dos primeiros heróis de seriados de tv nacionais produzidos pela Rede Globo, está enganado. Bem antes, no longínquo ano de 1965, estreava no mês de maio na tela da Globo a série nacional 22-2000 – Cidade Aberta, estrelada por Jardel Filho, na pele do intrépido repórter Márcio Moura, e Claudio Cavalcanti, como o jovem Carlinhos, “foca” na Redação e amigo do repórter. Os dois trabalham na editoria de Polícia do jornal O Globo e tentam desvendar casos de crime e mistério para suas reportagens. Isso os coloca frequentemente em perigo. Cada episódio tinha duração de 30 minutos e apresentava uma história completa. Segundo depoimento do ator Claudio Cavalcanti (que pode ser assistido aqui), ele próprio fazia várias cenas de perigo e a série era toda filmada em película, e não em vídeo.
Trinta Moedas
Com o sucesso de 22-2000 – Cidade Aberta, a Rio Gráfica e Editora lançou, em 1966, a adaptação dessa série para os quadrinhos. Era uma revista bimestral impressa em preto e branco e desenhada por Edmundo Rodrigues. As histórias eram as mesmas exibidas na tv. Assim, o primeiro episódio – Trinta Moedas – foi publicado no número 1 da revista, juntamente com O Rapto de Miss Brasil. Nos números seguintes se manteve esse padrão de duas aventuras por edição. A RGE já havia lançado com grande sucesso outro policial: As Aventuras do Anjo, baseado na rádio-novela de mesmo nome.
Rapto de Miss Brasil
Mas a nova revista em quadrinhos da RGE não durou muito tempo. Foram apenas cinco edições publicadas em menos de um ano. Com o fim da série, em 1966, depois de exibidos 30 episódios, a revista foi cancelada também. Assim, as aventuras do repórter Márcio Moura ficaram na lembrança dos telespectadores e dos leitores da revista.

Para saber mais sobre a série da Globo, visite este link.

Abaixo, a capa da última edição, desenhada por Walmir Amaral.
22-2000 Cidade Aberta #5
Curioso em saber o que significa o número 22-2000, que dá nome ao seriado? Este era o número do telefone do jornal O Globo, na época. Era o número real mesmo!
Márcio Moura e o editor de O Globo
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Disney: 90 anos animados by Francisco Ucha

Cinquentenário Disney
Em novembro de 1973, quando Walt Disney fez 50 anos de carreira, a Editora Abril publicou o livro Cinquentenário Disney, que apresentou as primeiras aventuras em quadrinhos de todos os principais personagens Disney, entre eles Horácio e Clarabela, Pluto, João Bafo-de-Onça, Pateta e, claro, Mickey, Minie e Pato Donald. O livrão tinha capa dura, formato grande (21×28 cm) e 188 páginas coloridas. O próprio Disney é o mestre de cerimônias do livro. Ele participa interligando as histórias e contracena com vários personagens, como mostra o quadrinho abaixo.
Walt Disney, Mickey e Minie
O texto de introdução do livro resume o início da jornada profissional de Disney com o seguinte relato: “Cinquenta anos atrás, mais precisamente em agosto de 1923, dois jovens, Walt e Roy Disney, começavam suas atividades no campo do desenho animado, em uma pequena garagem, na Califórnia (EUA). Passarem-se cinco anos sem que o talento criador dos dois irmãos fosse reconhecido, até que em 29 de outubro de 1928 estreou com grande sucesso o primeiro desenho animado sonoro nas telas dos Estados Unidos! Título do filme: Steamboat Willie. Seu criador: Walt Disney. Em Steamboat Willie, o personagem principal era um simpático ratinho chamado Mickey que, mais tarde, seria a marca registrada de Walt Disney em todo o mundo. Das telas para a história em quadrinhos foi um passo. Assim, em 1930 Mickey passou para as tiras diárias dos jornais da época. Logo depois, para acompanhar o irrequieto Mickey em suas aventuras, Disney criou a Minie, o Horácio, a Clarabela, o Pluto, o João Bafo-de-Onça, o Pato Donald, o Macha Negra, enfim, todos os personagens que, vindos das telas dos cinemas, como Mickey, ou criados especialmente para as histórias em quadrinhos, são hoje bem conhecidos de todos nós.”
Mickey: Lost on a Desert Island
Há uma pequena incorreção no texto de introdução, já que a namorada do Mickey não foi criada “depois”. Na realidade, Minie já aparece em Plane Crazy, o verdadeiro primeiro desenho animado estrelado por Mickey, realizado no início de 1928. Acontece que essa animação era muda e acabou não sendo lançada comercialmente nesse ano. Mas, com o sucesso de Steamboat Willie, Disney resolveu sonorizar Plane Crazy e relançá-lo em março de 1929.
Mickey: Lost on a Desert Island
A primeira história em quadrinhos do Mickey estreou em tiras de jornais dos Estados Unidos em janeiro de 1930 e se chamou Lost on a Desert Island. Ela foi adaptada para o formato de revista e publicada em cores nesse livro comemorativo com o título de Mickey Contra os Canibais, mas com alguns cortes. As três últimas imagens do Mickey que ilustram este texto foram extraídas dessa história.
Mickey: Lost on a Desert Island
Em 2013, Disney completa 90 anos de carreira. Isso mereceria uma outra edição de luxo em homenagem à sua carreira. 40 anos depois da comemoração de seu cinquentenário, ele não mereceria ser lembrado? Mas os tempos são outros…

Walt Disney nasceu em 5 de dezembro de 1901, em Chicago.




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